quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Entrevista com Jean Sinclair



Conte-nos por gentileza como começou sua história com as HQs e como surgiu o D9 ARTS.

Primeiramente, obrigado pela oportunidade.
Bem, Como todo artista,o desenho já faz parte da minha vida desde a infância.
Foi por volta de 1995,na extinta revista Herói,que vi as matérias sobre os artistas brasileiros que estavam ganhando espaço lá fora... Deodato, Roger, Marcelo(Campos). A realidade de trabalhar com desenho e pro mercado americano começou a deixar de ser um sonho e ganhar tangibilidadde.
Em 1996,consegui o antigo endereço da Art&Comics, daí comecei a enviar meus humildes trabalhos pra lá (em folha de A4,finalizado em caneta bic...BIZARRO!!!! hahahhaa!!). Depois da 4º carta que enviei (mandava uma carta por semana),recebi uma carta em resposta,dizendo que ainda não estava com o nível para pegar trabalhos,mas que continuasse estudando (era a carta padrão do estúdio,pena que a perdi,senão escaneava ela pra mostrar). Aquela carta me encheu de alegria, porque mesmo tendo recebido um não eu vi que estava no caminho certo.
Ainda em 1997, entrei em contato com o antigo Studio 3 , que atualmente é o Sequential Studio e fiquei apresentando testes para eles.
Em 2000, recebi críticas negativas em um teste que fiz que me fizeram parar de desenhar por 2 anos. Fiquei buscando outras coisas como programação e faculdade de economia. Esse período me serviu pra que eu me aprofundasse em animes e mangás e aumentasse o meu repertório pessoal, o que é sempre bom para um artista.
Voltei pra prancheta em 2002 ,e nesse mesmo ano,conheci meu grande amigo e irmão de artes,o Luis XIII.

Voltei a falar com os velhos contatos que tinha no mercado e voltei a fazer testes. Estava realmente enferrujado.

Em 2005, consegui entrar no mercado por meio do mercado de artes para venda e sem agente.
Daí eu, o Luis XIII,e o Jonathan Lima formamos o D9 Arts-Developing the Nineth Art(desenvolvendo a nona arte)(o logo e marca pertencem ao Luis XIII).



Você vendia e ainda vende artes por encomenda em sites como E-BAY correto?Como funciona esse tipo de serviço?É uma boa opção para os artistas iniciantes ou até mesmo os que querem complementar suas rendas?

Sim, ainda trabalho com artes pra venda e encomendas (commissions)
O sistema funciona assim:
Eu posto as artes em sites de leilões (como o E-bay). Esse leilão tem uma duração de 5-7 dias. Se um cliente está interessado, ele dá o seu lance, caso outro cliente esteja interessado nessa mesma arte, ele “cobre” o lance anterior, e assim vai até o período do leilão terminar. Quando termina, o pagamento é feito através do E-bay (o que dá confiança pros compradores) e quando eu recebo pagamento,eu envio a arte original pelo correio.
Atualmente eu não recomendo o mercado de artes pra venda pros iniciantes. O mercado está supersaturado de artistas de pequeno e médio porte e com grande procura, os preços estão baixos e as vendas baixas. Da pra conseguir uns trocados, mas não levanta a carreira.

Você ‘’cuidava’’ de outros desenhistas que vendiam artes desse modo certo?Ainda faz isso?Como os interessados devem fazer?

Sim, entre 2007 e 2008 eu cuidei dos trabalhos de aproximadamente 10-12 artistas e pessoalmente falando, foi a maior BURRADA que fiz na minha carreira.
Houveram coisas legais,pois trabalhei ao lado de grandes artistas que hoje são meus, entretanto isso me custou minha reputação como artista. Um dos artistas que eu trabalhava me deu uma Dor de cabeça MUITO grande,fora o fato que cuidar do trabalho dos outros exige MUITO da pessoa.Estressei-me pacas, brigava em casa com esposa porque estava muito nervoso e não estava mais desenhando. Olhei bem esse quadro e decide que não valia a pena.Bato palmas pra quem agência,é trabalho pra doido mesmo...Hahahah!!!



Ultimamente você tem colaborado na Revista Mundo dos Super Heróis, tendo ilustrado uma matéria sobre o Aquaman e até desenhou a capa da edição 15.Como surgiu o convite?

Foi da forma que todos fazem: Eu envie alguns desenhos pro Manoel de Sousa, editor da MSH (gente boníssima. Grande abraço,Manoel !). Dias depois ele me respondeu dizendo que tinha gostado do meu trabalho, e que no futuro,poderíamos fazer uma boa parceria na MSH.
A primeira foi o Aquaman, na MSH 13, Curti pacas o trabalho porque sou fã do Aquaman, Só pequei porque mandei o arquivo em RGB e pra impressão, é preciso que o arquivo digital esteja em CMYK, algumas cores se perderam na conversão.
A capa da MSH 15 foi um trabalho muito puxado. (Não estava conseguindo chegar num trabalho satisfatório pro pessoal da redação) fiz a capa umas duas vezes nessa parte do processo. Daí o Manoel me perguntou se não teria problema de pedir a opnião do Bené (Joe Bennett).

Como foi a parceria com o mestre Joe Bennett?
Foi muito legal. O Bené é um dos artistas mais talentosos do mercado e uma pessoa maravilhosa. Continuando, ele foi muito solícito ao pedido do Manoel e se prontificou pra ajudar e me mandou um novo layout pra capa.
Daí começou meu desafio: Manter o nível do layout do Bené no trabalho final. Ralei MUITO, e a arte foi avaliada e alterada várias vezes. O Bené, como todo grande mestre, COBRA MUITO e ele ta certíssimo.
Curti muito o trabalho à lápis e arte-final(que foram minhas).Quando foram as cores, até tentei mas o resultado não foi satisfatório,daí o Manoel repassou pro Isaac,do Estúdio Made in Paraíba ( Grandes caras e artistas talentosíssimos) que fez um grande trabalho.
O retorno dos fãs não foi lá muito bom, alguns criticaram, outros até de forma bem depreciativa. Os irmãos de arte curtiram muito e no geral foi um grande trabalho que gostei muito.

Será que vamos ver mais desenhos seus na Mundo?

Eu to sempre à postos. Curto a MSH porque é uma revista que deu o espaço que o artista nacional precisa. É uma revista conduzida pros profissionais que AMAM MESMO Quadrinhos.
O Manoel sempre sabe que pode contar comigo quando ele precisar e só ele sabe dizer quando eu volto pra páginas da MSH...Hehehe.



Você ainda é agenciado pelo Sequential Studios?Como é trabalho com eles?

Atualmente não. Ando bem ocupado com encomendas e trabalhos pra particulares. O pessoal do Sequential Studios são grandes profissionais e hoje lá há grandes artistas que estão nas grandes. Eu recomendo.

O que você tem feito atualmente nas HQs?

Atualmente estou fazendo uma grapich novel particular. Um trabalho que consegui a partir dos meus contatos adquiridos na Internet. Ele ainda está batalhando a publicação dela e estou curtindo o processo.
Também estou fazendo testes pra uma agência daqui (Sorry! sem detalhes)




Quais os artistas que o influenciaram?

Quando eu comecei a pensar de forma mais profissional o Jim Lee era minha influência principal.
Anos depois eu descobri artistas como Carlos Pacheco e Travis Charest e tive acesso a livros de anatomia do Burne Hogarth e passei a estudá-los com muito afinco.

Atualmente, eu sou fã e aluno pio do Ivan Reis. Nesse período de retomada, eu estava meio sem referência, e quando vi os trabalhos do Ivan no Superman, foi o que precisava pra deslanchar. É um dos artistas que um dia eu ainda encontrarei pessoalmente e sempre serei grato à ele.
Também continuo acompanhando e estudando o Carlos Pacheco (meu TOP2) e o Travis Charest.
Um grande artista e amigo que conheci foi o Mestre Al Rio. Um grande artista e um grande amigo que não só me ensinou como ser um grande artista e também em ensinou muitas lições de vida.
Adicionei diversos artistas ao meu repertório como o Enrico Marini, Steve Skroce, Ed McGuiness, Mark Schultz,Paulo Siqueira,Alan Davis,Bryan Hitch, Steve McNiven, Eddy Barrows, Frank Cho, Terry Dodson,Lan Medina, Ryoichi Ikegami,Takehiko Inoue, Kinu Nishimura, Akiman, Ma Wing Shing,Andy Seto,Mike Wieringo e também artistas clássicos como Rembrant,Rubens,Boccicceli,Gustav Klint,Alphonse Mucha,Boris Valejo,e os grandes Burne Hogarth,Frank Frazetta,Normal Rockwell,John Buscema,Gil Kane, Barry Smith e Jose-Luiz Garcia Lopez,George Perez.

Qual sua maior dificuldade no desenho(se é que você tem alguma)?

Começar os desenhos em si... Sério... Sentar na prancheta é sempre o passo mais difícil.
Não curto muito as pernas que eu faço. To sempre estudando pra “desengessa-las”.




Qual o seu método de trabalho?Explique desde os primórdios até a finalização do trabalho...

Leio o roteiro todo. Depois corro atrás das referências que não possuo,na Internet e na minha coleção de Quadrinhos.
Eu gosto de fazer os layouts bem pequenos, pra ver como a diagramação toda funciona. Depois trabalho os quadros em si. As posições, ângulos, a perspectiva. Tudo muito simples.

Daí começo a esboçar a páginas com Lapiseira 0,5 com grafite colorido (azul ou verde) de forma bem leve,mas definindo o máximo que posso.
Depois faço o trabalho de definição com lápis e completo o trabalho.

Quantas horas/dia você passa na prancheta?

1 página por dia ou encomenda, numa média de 6-8 horas,6 dias por semana(DOMINGO É FOLGA!). Esse é o essencial para um artista profissional fazer por dia. Depois da página completa,curto fazer uns esboços e treinar pintura digital(mais voltada pro lado artístico do que pra HQs, que ultimamente tenho curtindo pacas.



Como é cuidar da carreira de desenhista, ser casado e ter um filho?O cérebro não dá pane não?

Sério... SER PAI É MARAVILHOSO!!! Filhos realmente tomam tempo, mas to amando ser Pai. É muito gostoso. Recomendo.


Você trabalha em alguma outra coisa atualmente ou é desenhista ‘’full time’’?

Estou no quinto semestre de Artes Plásticas no CEFET-CE. Fora isso é desenho na veia.




Deixe um recado para os aspirantes a desenhista, por favor. Oriente-os!


Desenhem muito, estudem sempre. Busquem ver os bons profissionais, leiam mais quadrinhos, vejam bons filmes, sejam bons ouvintes.
Atualmente temos como concorrentes nós mesmos em 1º lugar e depois o resto do mundo. O mercado está bastante concorrido,mas o melhores sempre terão o seu lugar.
Grande abraço.Muito obrigado pela entrevista.
De nada e no que precisar,é só chamar.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Entrevista com Douglas Felix

Bom, vamos começar pela clássica pergunta: como começou a desenhar e gostar de desenho/HQs?

- Desenho desde que colocaram um lápis na minha mão. E desde então curto HQs, comecei na Mônica, e parei no Conan. Mas lá pros 15 anos, a escola e sua conduta anti-artística disse que era muito feio eu ficar só desenhando em vez de estudar, que isso não ia levar a nada. Então só voltei a desenhar e ler gibis depois do ensino médio, quando descobri que desenhar quadrinhos era uma profissão. Entrei num curso e to na luta até hoje...


Você chegou a fazer cursos ou foi tudo na raça mesmo?


Os dois. Não basta ter curso. Tem que ter raça. Fiz dois grandes cursos, com dois excelentes artistas, o Luiz Meira, que se Deus quiser apresento ele pro mundo, e o Carlos Rafael, que o pessoal já conhece. Aprendi muito e ainda estou aprendendo. Me considero iniciante do iniciante. E quando der ($$) entro em mais um curso.




Pelo que pude analisar, antes de entrar no mercado americano você já era conhecido no meio independente, tendo publicado na revista front, colaborado na júpiter II, no site NA MUNHECA....Fale sobre essa fase...como começou, os prós e contras, etc.

Sinto muita falta Infelizmente não tenho tido tempo de sobra, e quando sobra estou tão cansado que não tenho vontade de nada. Mas vou dar um jeito nisso. Essas iniciativas são a necessidade pessoal de deixar uma marca, contar boas histórias, aprender, experimentar, etc.
Começou exatamente da necessidade de dizer – “ to aqui”, e de mostrar meu material. Comecei com o site, onde pude conhecer pessoas, grandes amigos que apresentaram a grandes amigos que pediam participação, parceria, etc...
Os prós são que você faz uma HQ do seu jeito, com a sua cara, com o seu modo de pensar, experimentar e etc. O contra é que você precisa ganhar dindin, e nem sempre você tem tempo pra conciliar isso com trabalho. Mas recomendo, se aprende muito dessa forma. E é muito divertido.


E a entrada no mercado gringo?Como conheceu/teve contato com o Rascunho Stúdio do Alzir Alves?
Rapaz, te falar que esqueci! Nesse meio, você vai conhecendo tanta gente, falando com tantas pessoas, que puxando da memória só me lembro do Alzir elogiando meu trabalho a primeira vez, dizendo que eu tinha potencial, e depois me dizendo que arrumei um título novo, concorrido entre muitos artistas! Como disse antes, amigos me apresentaram ou indicaram o Alzir, conversei com ele, mostrei meu trabalho, fiz amostras,e graças a Deus peguei um trabalho de primeira.



Quanto tempo levou até pegar o primeiro trabalho?Qual foi?Qual esta fazendo agora?

Muito rápido. Tanto que pra ficha cair demorou...rsrs...O editor gostou do meu trabalho de primeira, pediu uma página extra e peguei logo, algo assim...lembro só do Alzir parabenizando pelo título...foi bem rápido. Mas isso pela Rascunho, a luta pra chegar nisso, tem mais de 10 anos desde a primeira vez que pensei que podia ser um desenhista de HQs e desenhar lá pra fora.
Ah, estou no mesmo título até hoje, o Virgin Wolf. Pelo que soube, o editor decidiu lançar em formato livro, em vez de gibis, aí ele quer meu trabalho em todos os capítulos. São oito, estou no sexto.

Vendo entrevistas com artistas como Ivan Reis,Ig Guara,Deodato e outros vi que todos eles gastam um tempo considerável na execução de suas páginas(cerca de 8 ou 9 horas, as vezes mais).Quanto tempo você leva pra desenhar uma página?E quanto a referencias, você as utiliza?

Hummm...é uma boa pergunta, geralmente faço uma página mais ou menos nesse período também. Quando estou inspirado, faço uma página e meia por dia, mas depende do roteiro. Mas perco mais tempo mesmo atrás de referencias. Sou horrível pra encontrar! Graças a Deus, o Alzir me manda um bocado de referência, mas as vezes acho que preciso de uma outra, pra acrescentar mais, e aí demoro muito pra encontrar. Uso filmes e fotos.




Como é seu processo de trabalho?Recebe o roteiro e ai...

Torço pra história ser no mundo invisível onde tudo é invisível! Rsrs..Recebo o roteiro, leio rapidamente só pra ver o que me aguarda, depois leio com calma tentando visualizar as cenas, e aí releio novamente, desta vez desenhando os thumnails que vão me guiar durante essa jornada. A partir desses thumbnails aprovados pelo editor, já passo pro lápis, e aprovando, arte-finalizo, se for o caso.
Costumo trabalhar mais de madrugada, a partir das 11 da noite até umas quatro da manhã, durmo, acordo, e na parte da tarde, já dou uma adiantada, e fica nesse brincadeira até terminar a edição.


É comum o desenhista ter dificuldade em desenhar certas coisas ou até mesmo gostar mais de desenhar isso ou aquilo.No seu caso,o que mais curte desenhar e o que mais detesta?Você tem dificuldade em desenhar algo ou hoje em dia sai tudo na boa?

Gosto mais de desenhar pessoas, closeups, cenas dramáticas...sai mais fácil. Mas eu gosto muito de desenhar cenas de ação, mas confesso a dificuldade em criar cenas que impactem o leitor, esse é o desafio. Acho que vou sentir essa dificuldade sempre, por que me cobro muito.´
E odeio desenhar multidão, não tenho dificuldade quanto o desenho em si, mas é tão cansativo, que quando termino, só me resta desmaiar, muito extasiante.



Falando do mercado nacional...depois que começou a publicar nos EUA surgiram propostas aqui no BRASIL? O que mudou entre o Douglas de antes e o de agora?Você tem algo pro mercado nacional?

Ih rapaz, acho que ninguém me conhece não..rs...Sempre que posso colaboro com o José Salles, da Júpiter 2, que é ma honra fazer parte dessa família, que pra mim é uma família. E se tem diferença entre antes e depois, bom, pessoalmente agora só falo com quem marca hora e pede permissão. Brincando, hehe. Não sinto mudança não, na verdade apenas me sinto com o dever de dar esperanças a todos que estão batalhando pra conseguir seu espaço e dizer – galera, eu consegui, vocês conseguem também!
Já profissionalmente sim, ganhei bastante experiência, e ainda ganho aprendendo como deve se portar um artista que trabalha pra fora, no que tange a prazos, qualidade. Etc...
Pra fora, eu tenho milhares de idéias que penso ao lados de amigos meus, que pretendo colocar no papel, de alguma forma, não consigo ficar com isso tanto tempo trancado só na mente! Mas pronto, acho que tenho algumas coisas na gaveta, que não vingaram com as editoras daqui...


Desabafe...Diga agora tudo o que sempre quis dizer para editores, fans, enfim...fale o que quiser agora!

Editores – Ei! To aqui! Conversem com meu agente que rola trabalho!
Fãs – Ei, tem alguém aqui? Rsrs
Galera que ta na luta, vai aqui o velho clichÊ que todo desenhista fala pra quem ta começando: Cai dentro, estude, desenhe, estude, desenhe, treine, leia gibi, veja filme, leia livro, faça exercícios (sua coluna agradece), estude, desenhe, mostre pras pessoas, mas não faça beicinho só porque riram do seu desenho ou falaram mal dele. Tente tirar algo de útil na crítica e repita todos esses passos que falei. Segura a onda da família dizendo que não vai dar em nada, olhe pra sua meta, e concilie trabalho/estudo/prática de desenho, por que você também precisa pingar um cascalho na mão da mamãe/papai/esposa! Faz bem! E não desista, por que quando você menos esperar, seja em 1 mês ou 10 anos, como foi meu caso, você pega seu primeiro trabalho pra alguma editora independente lá de fora e você vai comemorar como se fosse vitória em final de Copa do Mundo!
Aí dois disso, você repete tuuuudo que falei, só que dessa vez pra se manter no mercado. Mas como eu disse, se eu consegui, vocês conseguem!


Muito obrigado, pela entrevista.Sucesso!
Valeu, fica com Deus e vamo que vamo! Vamo cair pra dentro!

terça-feira, 19 de maio de 2009

ENTREVISTA SEBASTIÃO SEABRA



Puxa vida...
Parece que faz uma eternidade desde o nosso ultimo entrevistado!Mas calma crianças, pois acabou o tormento.Dessa vez, o nosso entrevistado é nada mais,nada menos que Sebastião Seabra!Ele nos contará sobre sua carreira, desde como a iniciou, o que faz atualmente e ainda falará sobre o mercado americano e nacional. Tudo no estilo Seabra:sem delongas.Na lata!Divirtam-se e até a próxima!


Bom, começando pela clássica e (por que não dizer) talvez batida pergunta: como você começou a desenhar? O quê ou quem contribuiu para seu envolvimento com desenho/HQs?

SEABRA - Acho que minhas influências foram os seriados de domingo no cinema... Depois as séries de TV (Jornada nas Estrelas, Zorro, etc...) e, assim que comecei a ler os gibis, Fantasma, Zorro e Sargento Rock foram fundamentais em me criar o gosto pelos gibis. Em seguida, a Marvel. Ai foi detonante.

Em uma biografia sua que li em um site, dizia que você estudou desenho (anatomia) a partir de um exemplar do livro Desenho e Anatomia, do americano Victor Perard. Fora isso você chegou a fazer algum curso ou aprendeu tudo na raça?

SEABRA - Sou auto didata. A única coisa diferente que fiz, foi freqüentar um tempo - todas as quintas feiras - um curso livre de modelo vivo na Pinacoteca do Estado, em São Paulo.
Modelo vivo é fundamental pra quem estuda anatomia humana.
Mas estudei muito e com afinco, os livros de anatomia humana e vários desenhistas de HQ.
Estudo até hoje. E estudo com paixão, médoto e com freqüência. Só assim você desenvolve algo que vale a pena.


Que artistas exerceram ou exercem influência em seu modo de desenhar?

SEABRA - Neal Adams foi meu grande professor. Meu ídolo maior na época. Ao mesmo tempo que eu o idolatrava, era frustrante, pois não tinha a mínima esperança de chegar perto do traço dele (ainda não tenho, rs). Mas tive outros mestres, e com o tempo vi que cada um, a sua maneira, era extraordinário. A lista é imensa: Jack Kirby, Steve Ditko, Wallace Wood, Alex Raymond, Milton Canniff, Hal Foster, etc...




Assim como a maioria dos grandes mestres do quadrinho nacional, você colaborou com a editora Grafipar de Curitiba, correto? Conte-nos como chegou à editora, e quais trabalhos antecederam essa fase.


SEABRA - A Grafipar foi a grande escola profissional para toda a minha geração. Eu era um garoto, e antes de publicar lá eu só havia publicado em jornais, tiras cômicas e uma de aventura.
Paralelo a Grafipar, eu escrevi e desenhei a revista do Zorro (capa e espada) para a editora EBAL, do Rio de Janeiro.


Um de seus trabalhos mais recentes está sendo o projeto Insurreição, em parceria com o Roteirista Alex Mir e com o Alzir Alves do Rascunho Studio correto? Pode nos contar um pouco sobre o projeto?

SEABRA - Insurreição, uma HQ para um álbum de 66 páginas, é um trabalho profissional e pessoal do editor e roteirista Alex Mir - que banca todo o projeto - que me convidou a desenhar um roteiro dele, coisa que venho fazendo com muito prazer.
Estou fazendo em preto, branco e cinza, que é provavelmente como será editada..
Posteriormente o Alex encomendou cores ao colorista Alzir Alves... Para uma também provável edição colorida.


Como é trabalhar com essa equipe? Você tem liberdade para acrescentar elementos na história ou tem que seguir a risca o texto?

SEABRA - Nesse caso específico o Alex Mir me passou o texto e me deu total liberdade. Mas eu procuro seguir o roteiro a risca. É um belo trabalho e eu tenho um certo pudor em ficar mexendo. Uma mudança ou outra (ou várias) creditaria a pressa e as limitações do trabalho e do meu desenho, rsss...


Fora os quadrinhos em que você tem trabalhado fora as aulas de desenho?


SEABRA - Bom... muita coisa... Até meados de 2008 eu seguia fazendo de tudo: charge política para jornal, quadrinhos para o mercado nacional, ilustração de livros, publicidade, minhas apostilas, lecionava as aulas do meu Curso de Desenho, etc... Parei com tudo isso e voltei a trabalhar e produzir apenas histórias em quadrinhos.
No momento (desde outubro de 2008) faço HQ para vários editores independentes e um ou outro projeto para as grandes.


E falando em aulas de desenho... Como é para você ensinar outros a desenhar? Qual o perfil daqueles que buscam seu curso?


SEABRA - É... Frustrante. Acho que essa é a palavra. Quem tem a chama, desenvolve até certo ponto, mas raramente vai além. E quando vão, quando acontece o "pulo do gato" e começam a desenhar legal, não há mercado de trabalho.
Pra ser mais exato, quando o jovem está ficando bom, amadurecendo o traço, ele já está na idade de trabalhar, então, invariavelmente, ele abandona tudo e arruma um emprego qualquer. Isso eu já vi acontecer muito. Artefinalistas fantásticos e gente com traço muito bom que abandonou para sempre o sonho de fazer HQs.
Quadrinhos no Brasil é uma coisa muito ingrata.



Você já publicou na Europa, correto? Qual o motivo de encerrar esse trabalho? Se tivesse oportunidade voltaria a fazer isso?

SEABRA - O motivo foi as opções da equipe econômica do governo Collor. A gente recebia em dólar e, de repente, o valor essa moeda caiu pela metade. Ficamos
duros e ficou inviável produzir pro nosso agente na época. Ele não entendeu esse problema e não concordou em aumentar o preço que nos pagava por página. Ai todo mundo parou. Voltamos a trabalhar para o mercado nacional...


Um estúdio que atualmente agencia desenhistas para os EUA é o Rascunho Studio do Alzir Alves (com quem você trabalhou em Insurreição). Ocorreu alguma proposta de agenciamento? Você gostaria de trabalhar com HQs americanas?

SEABRA - Não acontece assim. Não recebemos proposta. Isso é privilégio de raríssimos medalhões das HQs mundias, que tem seu trabalho reconhecido internacionalmente, ou seja, Moébios recebe proposta, o restante faz testes, entrega a algum agente e espera pelos resultados. Eu nunca fiz (nunca finalizei) testes e entreguei a agentes.
Já que tocou no assunto, ouço tanta gente dizendo tanta bobagem que gostaria de opinar.
Esse lance de testes é uma coisa muito democrática. Se o artista for bom ele é contratado. Só isso.
Não existe "panelas" ou qualquer conversa fiada do gênero. Na indústria dos quadrinhos não há espaço para esse tipo de coisas.
O que acontece é que os aspirantes a desenhar para o mercado americano parecem não entender certos critérios que os editores adotam.
O que pode ocorrer são suscetibilidades, já que cada revista tem um editor, e o editor da revista B pode achar meu traço o máximo e me contratar, enquanto que o editor da revista A pode achar meu traço um lixo e não me contratar. Só isso.
Todos sabem (espero) que não é apenas o traço que conta. Uma coisa é o sujeito fazer um belo, excelente painel, outra é fazer páginas e mais páginas de histórias em quadrinhos; achar solução pra tudo: cenários, indumentárias, gestos, expressões, elementos mil, narrativa, etc... Ou seja, ser um desenhista perfeitamente razoável, ou genial, como são caras tipo Deodato Filho, Bené Nascimento ou Rogério Cruz (e outros).
Mas, mesmo se o cara não for genial, terá de ser absolutamente técnico.
O mercado americano é muito competitivo.
Enfim, fazer HQ não é pra qualquer um. O resto é conversa fiada.
Falo isso de cátedra porque ouço conversa fiada o tempo todo.
Sou professor.
Sim, eu gostaria demais de trabalhar para o mercado americano (ou qualquer mercado que me pagasse um salário digno), mas um misto de provável incompetência, baixa auto estima ou sei lá o que me impede de finalizar um mísero teste.


Como foi adaptar Memórias Póstumas de Braz Cubas para HQ? Qual o lado bom e o lado ruim de fazer isso com uma obra de tão grande importância literária? O que se perde e o que se acrescenta?

SEABRA - Sabe... Eu tinha uma série de restrições, mas depois de ver a edição impressa (ficou uma belezinha) mudei de idéia. rs.
Vou tentar resumir essa resposta. Tinha um editor amigo meu - e também desenhista - que dizia o seguinte quando indagavam a ele sobre a qualidade do trabalho.
Ele dizia que fazer um bom gibi era como fazer um bom filme; tudo dependia do orçamento. E isso é o óbvio ululante. Você não planeja desenhar mal e correndo quando você ganha pouco. Você é levado a fazer isso devido a uma série de circunstancias. Se você tem apenas um trabalho e não ganha o suficiente pra comer e pagar tuas contas, então é obrigado a fazer dois, três ou mais trabalhos ao mesmo tempo, ai a qualidade despenca. É óbvio.
Se você vê artistas fazendo maravilhas num trabalho mal pago, pode ter certeza de que ele não depende daquilo lá. Tem outra fonte de renda.




Atualmente tem se falado em um crescimento dos quadrinhos nacionais, tem surgido bastante material feito no Brasil, como Tempestade Cerebral (Eloyr Pacheco e outros) e Ecos Sombrios (D.T.C. COMICS). Como você vê a situação das HQs feitas no Brasil? Você acha que pode estar nascendo(ou renascendo?) um mercado nacional que possa talvez um dia competir com os comics e mangás que vemos nas bancas
?

SEABRA - De uma maneira ou de outra, sempre houve material independente sendo produzido. São revistas de pequenas tiragens (500 ou mil cópias) locais, que não significam muita coisa a não ser para nós autores e para uns poucos e compreensivos (e tolerantes) fãs. É sempre um título ou dois. Artistas como o Deodato Filho e o Emir Ribeiro sempre produziram suas revistas... Altair Gelatti também, e aposto que você nunca ouviu falar dele. Não ouviu exatamente por isso, porque são experiências locais, entendeu?
Quadrinho nacional – mercado de trabalho - seria uma grande empresa bancando tudo, pagando seus autores e produzindo revistas de alta tiragem, e vários títulos, para todo o território nacional.
Quando eu era garoto tinha muito mais revistas independentes sendo produzidas. Eram nossos fanzines. Eram locais. Tinham a mesma qualidade das de hoje em dia (exceto pela facilidade atual de impressão), mas nem porisso seus autores se iludiam achando que estavam "abafando" e sendo vistos por leitores de todo Brasil.
Como seria possível com tiragens tão pequenas?
Talvez a Internet seja a culpada dessa fantasia coletiva.
Não se iludam.

Sem falar que a maioria das edições independentes são feitos amadorísticamente. Nem pagamento rola. Parece que para o aspirante a desenhista é pecado receber por trabalho feito, daí ele trabalha de graça e “por amor a arte”, mas até quando esse garoto ou esse profissional irá trabalhar de graça? Até a água bater na bunda e ele ter de arrumar um trabalho. Ai, bye bye sonho de estourar nas HQs.
Mais uma coisa... Quando se adquire trabalho de graça não se pode cobrar qualidade tampouco continuidade...
Até onde você acha que uma publicação consegue chegar nesse esquema pobre?
Isso é quadrinho nacional? É mercado de trabalho?
Sou contra isso? Claro que não. Mas isso tem nome: fanzine. Não é uma publicação madura, com grande tiragem, tampouco qualidade. É uma publicação amadorística, feitas por fãs, portanto não é “quadrinho nacional”.

Por favor, diga aos atuais desenhistas e aspirantes o que eles devem fazer e buscar para ser pelo menos bons artistas...

SEABRA - Estudar muito, traço, forma e anatomia humana. Principalmente anatomia humana, que é à base de tudo.
Desenhista que se ilude e acha que "quando chegar à hora vai arrebentar" nunca consegue nada. É uma presunção tola.
E estar totalmente aberto a críticas. Aspirante a desenhista que vive de elogios fáceis e questiona tudo que alguém mais experiente lhe diz é um grande tolo, e irá passar a vida á margem de tudo e de todos, mesmo que um dia tenha tido algum talento... Mas, lamentavelmente, não teve a lucidez de desenvolver.
Ah, mais uma coisa: e largar a mão der ser bobo e parar de trabalhar de graça.
Explico:
Anos atrás eu soube de uma revista, bela revista que publicava só HQs bonitas, de artistas que estavam despontando... Pagava razoavelmente bem, mas, de uma hora para outra o editor resolveu não pagar mais ninguém. Ele alegou que recebia HQs do Brasil todo, e de graça, portanto não haveria mais razão para ele pagar pra ter bom material pra sua revista.

Enquanto nosso aspirante a desenhista ou profissional não amadurecer, nada irá mudar. Enquanto houver mais mão de obra do que trabalho, também não.
Agora, junte tudo isso a baixas tiragens, baixas vendas, baixo poder aquisitivo para comprar gibis e analfabetismo e você terá a resposta a sua pergunta acima.



Muito obrigado pela entrevista. Grande abraço.

SEABRA - Obrigado a você, Felipe.
Abração.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Entrevista com Adauto Silva



Bom, amigos desenhadores...seguindo com a melhor parte desse blog(pelo menos em minha humilde opinião), o entrevistado da vez é Adauto Silva,um grande artista brasileiro que vem ao longo dos anos prestando seu primoroso trabalho aos quadrinhos e ilustração no Brasil.Ele falará sobre o início de carreira,suas influências,como vê o hq no Brasil nos dias de hoje e muito mais.Espero que gostem.Até a próxima!


Como começou sua história com os quadrinhos?Qual o primeiro contato?

Foi na infância com os gibis trazidos por meu pai que curtia esse tipo de leitura. Eu nem sabia ler mais fui cativado pelas imagens dos quadrinhos e tentava entender a história por elas.
Como se deu sua estréia nos quadrinhos?Em que editora?
Rio Gráfica , a RGE, hoje chama-se editora Globo. Ficava no RJ, mas mudou-se para Sampa.

Você também trabalha com ilustração publicitária correto?Como é isso?Qual o processo e conte-nos por favor como você faz a ‘’captação de clientes’’?

Já trabalhei por mais de uma década dentro de uma grande agência de publicidade e fiz muitos amigos e conhecidos. Quando precisam de mim me chamam.

Bem, pelo que analizei, você consegue se adaptar a qualquer estilo.Super-heróis,western,cartum,hiper realismo...enfim, você é versátil.Você acha que isso é um fator que o ajuda profissionalmente?Aconselharia essa busca pela versatilidade aos ‘’desenhadores’’ iniciantes?

Oh, sim! Como todo brasileiro , para sobreviver neste país temos que saber jogar nas 11, e é uma questão de conhecimento do desenho, adquirido com estudo e muita ralação, e tempo. Ao trabalhar em publicidade(Quem está no meio sabe que falo a verdade), o desenhista tem que saber se virar, com estilos e técnicas, se não dança.





Recentemente você estará fazendo parte do Rascunho Stúdio do Alzir Alves.Como se deu isso?Então agora teremos o Adauto Silva nos EUA?!

Graças ao grande amigo, Douglas Felix, que me apresentou ao Alzir e Nívia, do Rascunho. Alzir tornou-se um grande amigo, de longos e excelentes papos vez por outra. São pessoas maravilhosas. O Alzir é um grande sujeito e é um prazer trabalhar com o Rascunho.




Você foi vizinho do mestre Shimamoto, certo?Como o conheceu?Como era seu relacionamento com ele?

Fui não, sou! Conheci o Shima quando ele fez Carga pesada( que não chegou a ser distribuída, apesar de já estar impressa), descobri que era meu vizinho, nos tornamos amigos e até hoje freqüento a casa dele.

Você conheceu algum outro mestre?

Pessoalmente? Muitos, Walmir Amaral, Jose Benicio, Milton ramalho, Gustavo machado, Primagggio mantovi, Murillo Moutinho. Evaldo.Waton.Carlos Chagas, Gutemberg Monteiro.Elmano Silva,Bonini, Antonino homobono, Itamar.etc, e muitos outros cujo nomes não me vem a mente agora

É visível a influência das HQs italianas em seu traço.Que artistas o influenciaram?

Todos da Bonelli, sem dúvidas , são artistas formidáveis e estou sempre olhando o trabalho deles.




Seus desenhos são impecáveis em anatomia e tudo o mais.Você usa referencial fotográfico?Aconselha o uso de tal recurso?

Obrigado. Só uso fotos para desenhos de capa a cor, nos quadrinhos faço a anatomia de cabeça mesmo. Mas se preciso de uma mão fazendo algo especial, coloco a minha mesmo, num espelho, e me serve de referência. Mais eu acho que é legal, fazer uso de fotos, mas só como referência, sem copiá-las diretamente.

Vi belas aquarelas suas...e digitalmente ?Você também colore?

Obrigado. Sim, já fiz vários digitais e gosto muito de trabalhar com o photoshop, é uma ferramenta incrível.




A família ‘’Benes’’(Ed Benes,Mariah Benes,Fred Benes...)está em boa parte envolvida com HQs.Fora você há alguém mais da família que também siga a nona arte?

A nona arte em si, não, mas tenho um irmão que trabalha com artes gráficas maravilhosamente, Ernesto, e um outro que trabalha principalmente com desenho animado, Aguinaldo.

Em sua opinião qual o futuro das HQs?E no Brasil....a coisa tem jeito ou não?

Eu acho que o presente e o futuro da HQ no Brasil hoje é maravilhoso, pois não se depende mais de grandes editoras nacionais para se fazer quadrinhos, coisa que elas esporadicamente fazem, e quando muito, pagam a quem fez as artes depois de muito tempo. Desenhista de HQ também paga contas no final do mês. A globalização e os computadores tornaram o mundo seu quintal. Um artista espanhol faz comics para os EUA e isso torna o material americano? Não! É produção espanhola. O material do Deodato, do Roger Cruz, etc ..., tem super heróis, mas são produzidos aqui, por brasileiros, assim como aqui se fazem trabalhos para diversas partes do mundo, o que não tira o mérito de ser material nacional( são desenhados por brasileiros) . Eu mesmo desenhei o Fantasma e a diferença era que ele era publicado aqui( era material nacional ou não por causa disso?) Nunca se teve tanto desenhista de HQs, e nunca se produziu tanta HQ, de alta qualidade no país, quanto agora.

O que você aconselha para aqueles que querem ser bons desenhistas?Como estudar e desenvolver seu talento?

Leiam livros técnicos sobre o assunto. Façam visitas a desenhistas ou contaten-nos pela internet e façam perguntas. Copiem no início de artistas que gostem(a página toda e não só uma figura), Prestem atenção como aquele artista que você gosta, conta a história, como ele diagrama as páginas, como usa os pretos, copiem do natural e estizem no estilo do artista preferido. Estudem anatomia do natural e de livros sobre o assunto(Hoghart, etc), Peçam para os amigos posarem e usem estes estudos. Só estudando é que se consegue evoluir. Boa sorte e obrigado pela paciência em me ouvir. Um grande abraços a todos.

Muito obrigado Adauto!Foi um prazer.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Uso de referencial fotográfico na ilustração e hqs

Um recurso muito interessante e também muito utilizado por desenhistas e ilustradores(seja de hqs,publicitários ou editorial)é o uso de referências fotográficas.Esse recurso serve para agregar realismo e riqueza de detalhes, dando maior credibilidade à cena representada.Mas cuidado!O grande perigo disso é o desenhista ficar viciado em copiar fotos e não conseguir criar nada sem essa ferramenta.A foto é para servir de ajuda ao desenhista e não se tornar uma prisão,um vício.Bom, então galera do traço...papel e lápis na mão, criatividade e fotografias!

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Entrevista com Marcelo Salaza



Agora a entrevista da vez é com Marcelo Salaza, brasuka que já há alguns anos vem desenvolvendo trabalhos pro exterior.Ele conta sobre seu envolvimento com as hqs, a entrada no mercado gringo, a mudança de estilo , sua trajetoria profissional e muito mais.Divirtam-se.

Quando surgiu o seu interesse por HQs?

O meu interesse por hqs...
Surgiu em 1987, nesse tempo eu via muito desenhos, já desenhava.
Mas nunca tinha visto uma revista em minhas mãos.
Foi ai que ganhei de um amigo a revista do tio patinhas.
Daí em diante eu comecei a ler tudo de hqs, desde terror, mônica,etc...
Menos heróis,não conhecia.
Só fui conhecer heróis aos14 anos... foi a revista da ebal do zorro.
Depois comecei a comprar de tudo: superman,super power, x-man,etc...

Qual seu primeiro trabalho no Brasil?

Em fanzine foi em 1989, nem lembro em qual foi.
Em revista mesmo foi em umas revistas de notícias de minha cidade em 1990, fiz junto com um amigo umas tiras de um personagem com o nome de nossa cidade.
Foi bom, mas não ganhei nada.
Depois fiz uma porrada de fanzines e participei de um monte também.
Trabalho pago mesmo foi pra xanadu, era hentai, mas pagava.

Como foi parar no mercado Gringo?Qual o primeiro trabalho?

Bom, meus passos no mundo dos comics gringos foi mais de onda mesmo.
Tudo começou com um dia que comprei um pc, e resolvi fazer uns testes e mandar pro art&comics.
Mas como não tinha o endereço, resolvi enviar as imagens a editoras pequenas que ia achando na net, foi quando pra minha surpresa, mandei um e-mail e em 10 minutos uma editora me respondeu.
Fiquei louco de alegria, me prometeram mundos e fundos.
Acreditei... E me lasquei.
Tomei um calote de 88 paginas! Fogo...
Depois desta eu não desisti, resolvi criar um método de trabalho, e eu estou com este método até hoje e dá certo, ( pergunte ao Alzir do rascunho e os que são agenciados por nós...)



Como é o dia a dia do Marcelo Salaza?Rotina de trabalho etc...

Bom, meu dia a dia é assim:
Acordo cedo as 6 da manhã,separo o que vou fazer, tipo: os scripts , rafes e material de desenho e vou para meu cantinho.desenho até as 10 da manhã, paro e tomo café.
Volto pra prancheta e ao mesmo tempo no notebook e com fone no ouvido.
Desenho e converço com alguns clientes e amigos do meio.
Paro ao meio dia, almoço e retorno as 4hs e vou fazendo artes e no pc até as 9 da noite.

Quanto tempo você leva para produzir uma página de HQ?

Depende.. no caricato eu levo em média 1 hora uma página de 6 quadros.
No real levo de 1h a 2hs já com arte final.

Voce trabalha em parceria com o Rascunho Studio do Alzir Alves como agente correto?Como isso aconteceu?

Sim, eu trabalho com o mano Alzir, Nivia e Ana, somos uma família.
Bom, surgiu através de um amigo ,o Carlos Henrique.
Ele estava me agenciando um tempo, então resolveu parar com agenciamentos e se dedicar a desenhar, então eu disse a ele que começaria a agenciar e ele se juntou a mim.
Tempos depois eu disse a ele que ia parar de agenciar devido a muitos fatores, o principal: o tempo.Foi então que ele me disse que tinha um amigo que estava a procura de parceria, e então me apresentou ao alzir que me disse tudo sobre seus planos e então firmamos amizade.
Que temos até hoje.

Com que editoras você trabalha?Só dos EUA ou de algum outro pais?

Bom, eu trabalho com editoras , editores, e escritores de vários lugares.
Já trabalhei com clientes dos EUA,Inglaterra,França,Noruega e Portugal.
Editoras: Avatar Press,Ronin Studios,Infinityuprising,whiteeyestudios,portentcomics e outras que não lembro.

Quando vc produz uma HQ você recebe algum exemplar da revista pra poder ver o resultado impresso?

Sim , sempre recebo, sempre me enviam de 5 a 10 exemplares.
Voce recebe em dólares?Da pra sobreviver apenas de HQ ou voc ê tem outra fonte de renda?
Olha, não recomendo a ninguém a fazer o que eu faço.
Mas sobrevivo de comics sim, recebia em dollar, direto em minha casa, mas agora uso o westerunion.

Atualmente você mudou de estilo, seguindo uma linha mais real e bem limpa sem hachuras e tal... O que te levou a isso?

Trabalho, novas portas.
Adoro experimentar.
Assim sempre tenho trabalho.



Que artistas te influenciam ou influenciaram?

Emir Ribeiro, Watson Portela, Daniel Boultwood,Justin Bleep,Carlos Meglia,Humberto Ramos,Garcia López,Bené Nascimento.

Você já levou algum calote de editora?

Sim eu disse lá em cima. kkkkkk
a editora foi Infinityuprsing, seus filh@#$%%¨¨!!!

No seu fotolog antigo, o febre amarela vi uma imagem 3d de uma ‘’salaza’’feita por você.Você também trabalha com 3d ou e só brincadeira mesmo?

Sim, gosto de brincar, mas nada sério só brincadeira mesmo, mas quem sabe eu paro de desenhar e me dedico ao 3d?
Só o tempo vai dizer...

Visitando uma de suas galerias de desenhos na internet ,não me recordo qual, havia um desenho onde dizia na legenda que você fez para sua irmã artefinalizar...ela também esta no ‘’ramo ‘’?

É sim, minha irmã está me ajudando nas finais de alguns trampos, estou aos pocos tentando trazer minha esposa a fazer balões e final em meus trampos, mas esta dificil!



E essa tal crise financeira?Tem afetado o mercado de HQs em sua opinião?Você sofreu algum dano com ela?

Cara, até o momento eu não sofri nada com isso, continuo com meus trampos e sempre aparecem outros que tenho de deixar no canto e aguardar ter espaço aqui.
Estou tranquilo.

Vc tem algum projeto pessoal de HQs a ser publicado?Quando?Onde?

Olha, sim tenho, estamos em produção, mas ainda nada certo, tenho editora e tudo lá fora, mas vou trabalhar mais meu traço e veremos o que dá...
O que você diria aos seus fans e aqueles que tem o objetivo de ‘’viver de desenho’’ além do já clássico desenhar bastante?
Olha, desenhar bastantetambém.
Mas, ser muito dedicado e paciente, e mais dedicado e paciente.
Os caras lá fora são chatos, tem alguns que entendem de arte e outros que nem entendem nada.
O artista pra fazer comics lá fora tem de ser um puta artista, não precisa ser um Jim Lee mas que saiba fazer de tudo que o escritor pedir, desde um lápis até um elefante, Ferrari,
Armas antigas, tanques, etc...
O artista tem de ter muitas referencias, livros é bom ter.
E ao apresentar suas paginas, não mostre essas coisas só com heróis pulando em outros, mostre cenas do dia a dia, uma rua com pessoas, carros, pombos, etc...
tem que mostrar coisas que o editor quer ver, e não o que você acha que é bom.
Veja páginas de clássicos, como Garcia Lopez,Eduardo Barreto,Watson Portela,George Perez, Frank Miller no tempo de demolidor.
É isso, espero que seja de ajuda.

Muito obrigado.Até mais Marcelo

Muito obrigado você.
.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Entrevista Mariah Benes


Iniciamos a seção de entrevistas com Mariah Benes que além de grande e talentosa arte finalista é irmã do mestre Ed Benes.Ela conta sobre o inicio de carreira, como é o dia a dia e como concilia a vida familiar( sim ela é casada e tem uma filha) e como levou seu marido e o irmão mais novo (Fred) para o mundo dos comics.

QUANDO COMEÇOU A SE INTERESSAR POR DESENHO E HQS?

Acho q desde menina, meu irmão já desenhava muito quando eu era criança.

O QUE TE LEVOU A DECIDIR TRABALHAR COM HQS?E QUANDO FOI ISSO?

Quando tive minha filha. Eu tinha aquela visão de trabalho com estabilidade (segurança). Mas esse trabalho não poderia suprir as necessidades básicas dela. Assim, fiz disso minha força pra aprender. Treinava 10 horas por dia. Mas com três meses eu estava trabalhando.

MUITOS ARTISTAS (QUASE TODOS NA VERDADE) SOFRERAM DIFICULDADES NO INICIO DA CARREIRA. CONTE UM POUCO DO PRINCIPIO DA SUA POR FAVOR.

Não tive muitas dificuldades. Mas tive que enfrentar a incompreensão de grande parte da minha família, pois deixei meu trabalho por um sonho.
QUAL SEU PRIMEIRO TRABALHO NO BRASIL?E NOS EUA?
Nunca fiz nada nacional. Trabalho oficial mesmo foi com a Avatar, finalizando os desenhos de Paulo Siqueira e logo depois os desenhos de WG!

MUITAS PESSOAS SABEM QUE VOCÊ É IRMÃ DO ED BENES?COMO É ISSO?

Normal, sempre fui irmã dele... rsrsrs

COMO É SUA ROTINA E PROCESSO DE TRABALHO?QUE MATERIAIS UTILIZA?

Se o trabalho está no tempo normal, faço uma página por dia, mas se estivermos atrasados, trabalho no meu limite. Gosto de usar pena (102) faço uns 90% ou 95% da página com ela. O resto é com pincel e canetas descartáveis.

QUAIS ARTISTAS INFLUENCIAM OU INFLUENCIARAM SEU TRABALHO?

No topo, ED BENES. Depois Jim Lee, Scott Williams, Weems, Tuner, Finch, Adriana e Ebas. Têm muitos outros que eu gosto muito. Mas esses, eu trabalho olhando o q eles fazem.

PORQUE OPTOU EM SER ARTE-FINALISTA E NÃO DESENHISTA?VOCÊ PRETENDE DESENHAR PROS GRINGOS ALGUM DIA?

Acho que não daria pra eu ser desenhista. Tenho muito pra aprender sobre páginas. Como compor uma sena, como ler um roteiro, ângulo, dinâmica, luz e sombra... Isso leva tempo (uma vida) e eu antes não dei minha vida pra isso. Eu ainda estou me descobrindo na arte final, dedicando a ela meu melhor. É ela o meu foco.

COMO É TRABALHAR COM GRANDES EDITORAS, GRANDES PERSONAGENS E GRANDE PROFISSIONAIS?
É Mara!

VOCÊ JA SOFREU ALGUM TIPO DE PRECONCEITO POR ''NÃO TER UM EMPREGO NORMAL DE MULHER CASADA E COM FILHO(S)''?COMO SUA FAMILIA E AS PESSOAS AO SEU REDOR VEÊM SEU TRABALHO COM HQS?ELAS NAO ACHAM ESTRANHO?

Hoje em dia não sinto mais. Como disse antes, só no começo. Antes na família , só meu irmão fazia isso, mas quando comecei levei logo meu irmão caçula comigo (o Fred) e um ano depois o meu marido. Agora temos um negócio familiar... kkkkkkk (Brincadeira.)

QUE CONSELHO VC DARIA PARA AQUELES QUE QUEREM SER ARTE FINALISTAS OU ATÉ MESMO DESENHISTAS OU COLORISTAS DE HQS?

Que não demorem a se decidirem (perde um tempo precioso). O que se deve fazer é dedicar-se. Nada pode ser mais importante Que isso no seu tempo livre. Eu tinha uma filha de um ano e eu só a via por duas ou três horas no dia, quando treinava. Vida social ou lazer, tudo teve que esperar. Cada hora pedida é um tempo a mais para alcançar o sonho e fazê-lo real. Treine, treine e treine... Vai ver que isso faz toda a diferença.

Muito obrigado, fique com Deus