quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Entrevista Anna Anjos


A entrevistada desse mês é a ilustradora Anna Anjos, quem vem se mostrando uma das mais promissoras e importantes ilustradoras da nova geração que está chegando ao mercado e nos proporcionando um verdadeiro banquete visual com seu estilo rico em formas e cores.

Ela nos conta sobre sua visão de mercado, como foi trabalhar com a gigante dos chocolates, a Nestlé, no projeto chocolovers e muito mais.

Embarque no universo afrotropical e divirta-se!

Vamos começar por seu projeto mais conhecido (me corrija se estiver errado), o Chocolovers para NESTLÉ. Como foi trabalhar para a gigante dos chocolates? Como aconteceu o convite?
Em meados de 2009 fui convidada a desenvolver uma ilustração exclusiva para a embalagem especial dos Ovos de Páscoa Nestlé 2010. Após ter enviado o rough da proposta, qual não foi minha surpresa ao ser convidada a desenvolver não apenas uma, mas três ilustrações para o projeto.
Tive liberdade total de criação e pude exercer, ousar nas cores e formas que compuseram as 3 ilustrações exclusivas para as latas. Resolvi desenvolver mandalas e elementos orgânicos com diferentes tons para cada lata, que explorassem a forma da embalagem, criando um universo lúdico, onírico, que de alguma forma materializasse (visualmente) a sensação que o chocolate provoca em quem o consome.
Foi uma grande experiência e um enorme prazer poder aplicar minha arte em produtos de uma marca tão forte como a Nestlé. Fiquei bastante satisfeita com o resultado final.

Você é formada em design pela BELAS ARTES/SP, atuou como tal em agências de publicidade. O que lhe motivou a largar tudo e ser ilustradora freelancer?
Sempre fui lúdica e gostei de criar meus próprios mundos, encantados e coloridos. O contato com a ilustração surgiu ainda na infância, através do meu pai que, embora tenha sido ilustrador auto-didata, nunca exerceu de fato essa profissão. Na época em que fiz vestibular ainda não havia uma faculdade de ilustração no Brasil, então resolvi cursar Design Gráfico, pois era este o curso mais se aproximava de minhas expectativas, onde poderia exercer meu potencial criativo além, é claro, do embasamento teórico que um curso superior oferece. Hoje vejo que fiz a coisa certa, pois o Design ampliou minha capacidade analítica e expressiva, oferecendo-me novas perspectivas para a área de criação.

Fale sobre a fase de colorista na Fábrica de Quadrinhos. Já pensou em trabalhar com HQs?
Trabalhar como colorista na Fábrica de Quadrinhos foi um período de muito aprendizado, onde refinei meus conhecimentos técnicos. Nunca pensei, porém, em trabalhar desenvolvendo minhas próprias histórias em HQ, justamente pelo fato de uma das principais características dessa expressão artística ser a narrativa (seja esta didática ou não), pela necessidade de discorrer uma ação ou uma história.
Acredito que a possibilidade de infinitas interpretações a respeito de cada uma de minhas artes, através de meus personagens coloridos inseridos num universo lúdico, surreal, talvez seja a essência que mantém minha arte viva, pois dessa forma ela tem a capacidade de se transformar a todo momento, através da leitura emocional que cada um apreende.


Fale sobre sua rotina diária/processo de trabalho. Você utiliza sketchbooks?

Penso que a ligação estreita entre artista/sketchbook, além de válida, é de fato o ambiente ideal para o experimentalismo e a ousadia; muitas vezes funciona quase como um tótem, uma espécie de amuleto do artista. Atualmente, porém, não utilizo sketchbook, pois estou encontrando dificuldade em estabelecer essa relação necessária com o caderno. Talvez isso se deva ao fato de que, hoje em dia, meu trabalho tem buscado novos horizontes, novas perspectivas, um momento de amadurecimento e reencontro de minha linguagem como arte-ilustradora.
Apesar de atualmente não possuir um forte vínculo com meu sketchbook, minha relação com música o é. Tenho necessidade de ouvir músicas que tenham alguma relação com o que estou criando no momento; assim, o trabalho flui muito melhor, de modo mais orgânico.


Seu estilo de desenho é bem pessoal e rico em cores/formas e traços. Como chegou a essa “assinatura pessoal’’?

Pela minha personalidade curiosa, sempre gostei muito de conhecer o trabalho de outros artistas. Com isso, acabei entrando em contato com diferentes estilos e linguagens para expressão das ideias; talvez por causa justamente desse acervo mental imagético que acabei desenvolvendo, tenha sentido mais facilidade para criar esse estilo “próprio”. Afinal, nada é totalmente novo, todas as nossas ideias estão nas camadas do imaginário coletivo cósmico. O que faz um trabalho artístico ser diferenciado de outro são as infinitas conexões possíveis das referências, e modo utilizado para se desenvolver conceitualmente a(s) ideia(s) sobre ele.


Você acredita que ter um traço próprio é fundamental para o sucesso de um artista ou mesmo aqueles que ‘não tem estilo’ podem fazer sucesso?

Ter um traço “original”, que o permita distingüir-se dos demais artistas é importante sim. Pois o que chamamos de “estilo próprio” é, ao meu ver, a capacidade de organizar harmonicamente na grande teia da criação a conceitualização da arte através de suas referências fazendo uso, para isso, de uma linguagem específica que, de modo técnico-instintivo – faça transparecer nossa personalidade, nosso modo de compreender o mundo. Quando digo isso, quero me referir não ao ilustrador, ao qual é exigido um domínio dos diversos estilos e técnicas de pintura; refiro-me ao artista plástico e aos arte-ilustradores, que é o meu caso. É claro que, nesse segundo caso, ganhar a empatia do público é, via de regra, mais difícil do que quando se é um profissional mais “técnico”, que consegue caminhar facilmente por diversas técnicas e linguagens.

Quais artistas lhe influenciam ou influenciaram artisticamente?

Minhas principais referências vêm da cultura brasileira (indígena/nordestina/movimento Tropicalista) e cultura africana (padronagens/artesanato).
A música é uma de minhas maiores referências para o desenvolvimento da minha arte. Os artistas que mais me influenciam são: Nação Zumbi, Otto, Novos Baianos, Secos e Molhados, Tom Zé, Mestre Ambrósio e Siba e a Fuloresta.
Na área da ilustração gosto muito do trabalho de Nick Sheehy, Linn Olofsdotter e Joe Sorren.
Em meados de 2009 tive a oportunidade de viajar para a Argélia e conhecer um pouco da cultura do norte africano.
Por ter sido a Argélia um país que foi colonizado por espanhóis, franceses e árabes, a cultura é extremamente rica e contundente, respira história. Os diversos padrões coloridos presentes nas roupas, as cerâmicas e o próprio visual litorâneo da região contribuíram muito para uma nova visão sobre meu trabalho. Argel, a capital, é um lugar incrível, enigmático, inspirador.
Sem dúvida, a vivência dessa cultura foi uma de minhas principais influências para o desenvolvimento de meu projeto pessoal, o Afrotropicalismo, ainda em fase de concepção. (Para quem quiser conhecer melhor sobre esse projeto, pode acessar o blog: www.afrotropicalismo.blogspot.com).


O que você acha do mercado de trabalho atual, para ilustradores?

O mercado de ilustração no Brasil está desvalorizado. Eu acredito que o profissional, seja ele de qualquer área vale por sua raridade no mercado. O que acontece ao meu ver é que há poucos profissionais na área de ilustração/criação, que apresentem qualidade e trabalhem por um preço justo.


Quem é a ANNA ANJOS quando não está ilustrando? O que gosta e o que odeia nesta vida?
Sempre curiosa, a Anna gosta de descobrir, de conhecer, de pesquisar. Ultimamente tenho sentido muita necessidade de expandir meus pensamentos através de textos. A escrita, aliada à ilustração, têm atuado de modo contundente em prol do meu desejo de extravasar os pensamentos. Também adoro ler e viajar, conhecer novos lugares. Toda cultura me encanta; é a forma mais pura e viva da expressão humana.


Quais são suas metas para o futuro? Quem será a Anna Anjos daqui a dez anos?

Meu principal objetivo é continuar me aprimorando cada vez mais, sem dúvida nenhuma. Tenho recebido vários convites para participar de palestras. Poder compartilhar meus conhecimentos é sensacional, acho muito importante essa troca de ideias e experiências profissionais.
Também tenho interesse em direcionar meu trabalho para novos suportes, a fim de enriquecer e diversificar minha arte, trabalhando mais o lado plástico de minhas criações, através do desenvolvimento de telas e animações experimentais em stop motion das Entidades e o conceito Afrotropical. E quem sabe em um momento futuro, lançar um projeto gráfico sobre o Afrotropicalismo.


Deixe seu recado para os fans de seu trabalho e para aqueles que estão buscando/sonhando com um lugar ao sol nesse campo ilustrado.

Costumo dizer que as duas coisas mais importantes para o profissional de qualquer área são: amar e acreditar no que se faz. Num profissional, essas duas características são imprescindíveis; as molas propulsoras para o crescimento profissional de qualquer um. Ser persistente é acreditar no que você faz, é não desistir nunca, é tentar, tentar e tentar, até conseguir. O grande erro, ao meu ver, é que muitos, infelizmente, desconhecem o valor de seu próprio trabalho, e isso naturalmente acaba gerando medo e insegurança.
Muitas são as dificuldades encontradas pelo profissional da área de criação, todos nós sabemos disso. Para muitos, tantas adversidades soam como frustração porém, veja, é justamente sob essa condição que temos a possibilidade de amadurecer enquanto profissionais e desenvolvermos nossos déficits técnicos, aprimorando nossas habilidades através do estudo.

Tesão é o combustível que move toda essa engrenagem Universal.

http://www.annaanjos.blogspot.com/
http://www.annaanjos.com/
http://www.urbanarts.com.br
/Artistas/AnnaAnjos

http://www.cazulo.com/asp/index_skinz.asp?IdArtista=22

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Poder do design

Algo extremamente frustrante, e digo isso na posição de ilustrador e designer, é quando apresento um projeto x(seja ele design ou ilustração) e ai o cliente diz:ah, tá caro...eu queria algo bem simples,bem rapidinho...
Bom, quando o cidadão diz algo assim isso mostra duas opções:

1-Ele é um espertalhão que quer se dar bem as suas (ou minhas)custas,e não dá o mínimo valor ao nosso trabalho;
2- Ele não tem a mínima noção do poder que um projeto bem feito tem de valorizar a sua empresa e possivelmente lhe trazer clientes(que é igual a dinheiro).

Algo que contribui para isso é o fato de que existem por ai muitos profissionais que oferecem seus serviços praticamente de graça, isso quando não o fazem iludidos com a ''visibilidade que seu trabalho vai ter''.

Um trabalho bem elaborado, e desenvolvido corretamente(com pesquisa de mercado e tudo mais que deve ser feito e que não vou escrever nesse post)não pode ser feito rapidinho e muito menos ser vendido por ''dez conto e uma cerveja''.

A exemplo disso podemos ter como base marcas fortes, que foram desenvolvidas por profissionais(e profissional não trabalha por divulgação e nem pra ganhar ''dez conto e uma cerveja''...)e que por terem sido desenvolvidas do modo correto(e cobradas de modo correto)são reconhecíveis em qualquer lugar e com certeza alcançaram e alcançam seus objetivos, cumprindo as expectativas do cliente.

Para finalizar gostaria de deixar claro duas coisas:
1- Não quero ofender quem faz serviços por divulgação ou que cobra abaixo do devido,mas quero lhes alertar que isso desvaloriza a profissão e a vocês mesmos, pois querendo ou não preço muito baixo é associado à baixa qualidade;

2-Também não quero ofender quem busca profissionais que trabalhem de graça ou quase.
Quero alertar que fazendo isso você está entregando sua marca/empresa nas mão de alguém despreparado e que mesmo que tenha boa vontade, estará pondo em risco seu patrimônio e transmitindo uma mensagem errada e lhe proporcionando futuros aborrecimentos.

Abaixo seguem alguns logotipos de empresas conhecidas e que devido ao fato de terem sido produzidas por bons profissionais são reconhecidas e assimiladas mesmo que tendo seus nomes trocados ou outras intervenções.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Entrevista Alzir Alves (RASCUNHO STUDIO)


Puxa vida... Muitos meses se passaram desde nosso último post ( perdão leitores amigos, perdão...), mas agora voltamos, e para que vocês possam saciar sua curiosidade sobre a vida dos profissionais das HQs brazucas, trouxemos uma entrevista( que há muito tempo foi realizada) com Alzir Alves, colorista atuante no mercado americano e diretor do Rascunho Stúdio, que agencia artistas para as editoras nos EUA.
Conheça a trajetória deste artista que vem crescendo a cada dia em meio aos artistas no exterior, e guarde as dicas que ele oferece para se ter sucesso nessa carreira.
Boa diversão!




Como você se interessou por desenho? Como foram os primórdios?

Primeiramente gostaria de te agradecer pelo seu convite, sempre acompanho o seu blog. Como a maioria dos jovens eu sempre gostei muito de desenhos animados e conseqüentemente às revistas em quadrinhos.
Na minha infância e adolescência não havia internet tão popularizada como se tem hoje em dia. Tudo era mais restrito em relação à informação sobre vários assuntos ligado a desenhos e quadrinhos. Acredito que todos os amantes de quadrinhos não imaginariam chegar tão longe com seus trabalhos por estarem aqui no Brasil e a Meca dos quadrinhos serem fora do nosso país.
Eu sou só mais uma destas pessoas que sonhava com isso e desenhava sempre para tentar chegar ao nível de grandes desenhistas da minha época. Tive muito incentivo da minha mãe e de amigos como José Augusto e de sua família. O José Augusto foi assistente de Deodato e é grande amigo dele. Esta grande amizade foi que abriu uma grande porta para conhecer o Deodato no seu inicio de carreira. Desenhei muito graças a estas motivações.


Em 1995 participei de um curso no Senac ministrado por Gilton Lira, o qual ministrou o primeiro curso de Historias em Quadrinhos em João Pessoa. Nesse curso aprendi muita coisa e também conheci vários outros artistas iniciantes na época em que desejavam ser desenhistas. Acredito que isso, foi bom para saber que eu não era o único que amava o que fazia.
Com o passar dos anos tive que assumir outras atribuições e também fazer a faculdade onde passei aproximadamente seis anos sem desenhar quadrinhos. Meu único contato era com o que via em bancas de revistas.
Ao me forma em Publicidade e Propaganda, trabalhei como storybord em um filme nacional chamado “O sonho de Inacim” ( Link: http://www.osonhodeinacim.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=19&Itemid=28 ) depois fui aventurar nas agencias de publicidade onde trabalhei em algumas campanhas e, por fim, voltei para os quadrinhos.


Quando voltei a desenhar e já pensando em criar o Rascunho Studio, formei uma parceria com o Carlos Henry e o Marcelo Salaza, onde trabalhei em um titulo chamado C.H.E.S.S. como desenhista e meu amigo Marcos Aurélio como arte-finalista. Foi um trabalho bacana e tivemos a Cover colorizada pelo Blond. Então com o passar do tempo estruturei o Rascunho Studio e convidei várias pessoas a compor o nosso estúdio.
Hoje conto com o grande apoio da minha esposa Nívia Alves ( Diretora Administrativa e Agenciadora ) e Ana Karla ( Agenciadora e Tradutora ) sem falar dos grandes artistas que fazem parte de toda grande família do Rascunho.

Fez cursos e tal ou aprendeu na raça?

Como citei acima fiz um curso no Senac em 1995, mais sempre fui auto-autodidata no que fazia em relação a desenho. Claro, que tudo foi questão de oportunidade e na minha cidade não havia cursos e oficinas no seguimento que eu desejava. Hoje melhorou muito não só para mim como para todos que procuram aprender algo sobre artes em geral.
Eu sempre recomendo a todos a fazerem cursos e oficinas para aprenderem mais sobre técnicas de desenhos. Você tem que ver isso como investimento para sua profissão. Outro detalhe importante para todos é saber que certificado não faz o artista e sim o seu portfólio. Por isso que estou hoje montando o Rascunho Studio no centro de João Pessoa com Oficinas de desenhos em quadrinhos para somar com todos os novos talentos que precisam de orientação e assim chegar preparados ao mercado de quadrinhos.




Como você foi parar na publicidade?

Além de me formar na área, sempre tive curiosidade de trabalhar neste grande meio que é a área de criação, mas hoje em dia faço mais freelance nesta área.

Você trabalhou um bom tempo com publicidade ( Storybord, Ilustração, etc. ) Certo? Como foi essa fase?

Esta fase para mim foi rápida, pois tive o prazer de ser contratado pela editora Grafset, assumindo a parte de coloristas de livros didáticos. Com tudo, fiz vários trabalhos em agencias de publicidade como storyboard para comerciais como estes que fui o desenhista. ( Links: http://www.behance.net/Gallery/Boulange-BistrA/111493 ou http://ccsp.com.br/busca/busca.php?SearchArea=novo&t=dadado&p=3 ).

Ainda presta tais serviços?

Hoje quando aparece algo repassamos aos nossos artistas agenciados pelo Rascunho Studio, assim posso dizer que estou criando oportunidade para todos os agenciados.


Como conheceu o Mike Deodato? Conte tudo sobre essa fase, por favor...

Está historia é longa, risos! Mas vou resumir o máximo possível isso. Tudo começou quando eu era adolescente e uma vizinha levou um anúncio de jornal onde dizia que Deodato precisava de mais um assistente. Então quando vi o endereço era no meu bairro e fui ao local imediatamente. Levei tudo o que achava legal para apresentar ao Deodato. “Pessoal, eu era tão amador que era engraçado a situação, risos!!!” Porém, na época era o meu melhor. Quando cheguei ao local, o endereço era do assistente e melhor amigo,o José Augusto, que me recebeu muito bem me passando várias dicas.


O José Augusto e sua esposa Marinalda me ajudaram muito no processo de incentivo e aprendizado na área de quadrinhos. Depois de certo tempo tive o prazer de conhecer Deodato pessoalmente em sua residência. Lembro-me muito bem que ele estava trabalhando para a editora Innovation Publishing produzindo o titulo Beauty and the Beast.
O José Augusto juntamente com Deodato sempre me enviava fotocopias de páginas que já estavam liberadas pelo editor. Isso era excelente por que eu estudava o que eles me enviavam e aprendi muito com isso. Desenhava como nunca nesta fase, risos!

Como você “migrou” do desenho para a cor? Qual a causa?

Bem! Como sempre tive um tempo muito apertado e isso prejudica muito o desenhista, eu estava procurando sempre uma solução para ter tempo. Quando montei o Rascunho estava em um titulo chamado C.H.E.S.S da Ronin Studio, agenciado na época pelo meu amigo Marcelo Salaza ( Diretor do Pencil Blue ). Nesta época havíamos uma parceria de agenciamento, mas com as demandas de trabalho e cada um procurando montar sua própria estrutura rompemos a parceria e cada um focou melhor em seu estúdio. Hoje mantemos um ótimo relacionamento e é um amigo que admiro muito.


Devido aos prazos apertados, chamei o Marcos Aurélio para me ajudar no processo de produção da edição. Foi quando surgiu um teste de cor onde passei para vários coloristas que na época confirmaram participação e no dia só dois entregaram o teste no prazo e mesmo assim incompleto. Eu Acredito que foi por que não conheciam meu trabalho e também acharam que era dispensável. Isso é normal e talvez eu fizesse a mesma coisa se não conhecesse bem o agenciador. Enfim, fiquei muito preocupado em não decepcionar o editor e em apenas uma noite, colorizei as 3 páginas testes e mandei junto com as páginas dos outros coloristas. Depois chegou o resultado do teste e eu havia sido provado como colorista oficial da edição de Witch Hunter.

Quando e por que surgiu a idéia de montar o RASCUNHO STUDIO DE AGENCIAMENTO DE ARTISTAS?

Surgiu da grande vontade de somar com todos os artistas que desejavam assim como eu chegar ao mercado de Quadrinhos.
Eu acredito que o Rascunho hoje é mais uma opção de agenciamento e estamos lutando todos os dias para agregar algo a mais no nosso trabalho e para os nossos artistas.

Como é agenciar vários artistas para o exterior? Os caras dão trabalho? Tô sabendo que a Nívia Alves ( sua esposa ) ajuda bastante nesse ponto.

Eu até hoje não tenho absolutamente nada o que me queixar dos meus agenciados e nem dos meus ex-agenciados. Tem muita gente competente e que conquistou o meu respeito como amigo, pessoa e profissional.
Nívia Alves tem o papel fundamental de liderar as situações e fazer tudo fluir da melhor forma possível em todo o processo. Todas as vezes que falo com os artistas, todos elogiam muito o trabalho dela e também o da Ana Karla.




Como os interessados devem fazer para entrar no time do Rascunho Studio?

Como qualquer estúdio de agenciamento você deve enviar primeiro suas amostras e solicitar um teste do Rascunho para ser novamente avaliado.
Quando avaliamos as primeiras amostras do material já temos a noção se o artista é iniciante ou se tem ou não possibilidades de compor uma história de quadrinhos.
Só uma dica: sempre envie páginas com narrativa e não pin up, cover e etc. E nunca imagens em alta resolução.

Como artista e agenciador, qual sua visão sobre o atual mercado de HQs?

Posso dizer que agora está muito mais competitivo do que nunca, mas não se assustem com isso e continuem buscando o seu espaço.




Seja livre agora: Diga o que quiser! Fale aos nossos leitores e aspirantes a artistas de HQs!

Nós e a Nivia Alves primeiramente agradecemos a Deus por tudo o que temos conquistado. Agradecemos também aos nossos familiares pela força e carinho e também a toda família do Rascunho. E quero que todos vocês saibam que Eu, Nívia Alves e Ana Karla estamos lutando por todos vocês diariamente.
Para todos os aspirantes estamos sempre de portas abertas para recebê-los da melhor forma possível. Vamos avaliar sempre com muita atenção todos vocês e agradecemos o carinho de todos. Gostaria de citar o nome de várias pessoas para agradecer esses 2 anos pelo carinho, atenção e respeito com todos nós, mas sei que poderia esquecer o nome de alguém e por este motivo deixo um grande abraço para todos.




Obrigado por tudo, grande abraço..

Eu que sou grato pela oportunidade.
Grande abraço a todos aí.

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