terça-feira, 20 de julho de 2010

Entrevista Alzir Alves (RASCUNHO STUDIO)


Puxa vida... Muitos meses se passaram desde nosso último post ( perdão leitores amigos, perdão...), mas agora voltamos, e para que vocês possam saciar sua curiosidade sobre a vida dos profissionais das HQs brazucas, trouxemos uma entrevista( que há muito tempo foi realizada) com Alzir Alves, colorista atuante no mercado americano e diretor do Rascunho Stúdio, que agencia artistas para as editoras nos EUA.
Conheça a trajetória deste artista que vem crescendo a cada dia em meio aos artistas no exterior, e guarde as dicas que ele oferece para se ter sucesso nessa carreira.
Boa diversão!




Como você se interessou por desenho? Como foram os primórdios?

Primeiramente gostaria de te agradecer pelo seu convite, sempre acompanho o seu blog. Como a maioria dos jovens eu sempre gostei muito de desenhos animados e conseqüentemente às revistas em quadrinhos.
Na minha infância e adolescência não havia internet tão popularizada como se tem hoje em dia. Tudo era mais restrito em relação à informação sobre vários assuntos ligado a desenhos e quadrinhos. Acredito que todos os amantes de quadrinhos não imaginariam chegar tão longe com seus trabalhos por estarem aqui no Brasil e a Meca dos quadrinhos serem fora do nosso país.
Eu sou só mais uma destas pessoas que sonhava com isso e desenhava sempre para tentar chegar ao nível de grandes desenhistas da minha época. Tive muito incentivo da minha mãe e de amigos como José Augusto e de sua família. O José Augusto foi assistente de Deodato e é grande amigo dele. Esta grande amizade foi que abriu uma grande porta para conhecer o Deodato no seu inicio de carreira. Desenhei muito graças a estas motivações.


Em 1995 participei de um curso no Senac ministrado por Gilton Lira, o qual ministrou o primeiro curso de Historias em Quadrinhos em João Pessoa. Nesse curso aprendi muita coisa e também conheci vários outros artistas iniciantes na época em que desejavam ser desenhistas. Acredito que isso, foi bom para saber que eu não era o único que amava o que fazia.
Com o passar dos anos tive que assumir outras atribuições e também fazer a faculdade onde passei aproximadamente seis anos sem desenhar quadrinhos. Meu único contato era com o que via em bancas de revistas.
Ao me forma em Publicidade e Propaganda, trabalhei como storybord em um filme nacional chamado “O sonho de Inacim” ( Link: http://www.osonhodeinacim.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=19&Itemid=28 ) depois fui aventurar nas agencias de publicidade onde trabalhei em algumas campanhas e, por fim, voltei para os quadrinhos.


Quando voltei a desenhar e já pensando em criar o Rascunho Studio, formei uma parceria com o Carlos Henry e o Marcelo Salaza, onde trabalhei em um titulo chamado C.H.E.S.S. como desenhista e meu amigo Marcos Aurélio como arte-finalista. Foi um trabalho bacana e tivemos a Cover colorizada pelo Blond. Então com o passar do tempo estruturei o Rascunho Studio e convidei várias pessoas a compor o nosso estúdio.
Hoje conto com o grande apoio da minha esposa Nívia Alves ( Diretora Administrativa e Agenciadora ) e Ana Karla ( Agenciadora e Tradutora ) sem falar dos grandes artistas que fazem parte de toda grande família do Rascunho.

Fez cursos e tal ou aprendeu na raça?

Como citei acima fiz um curso no Senac em 1995, mais sempre fui auto-autodidata no que fazia em relação a desenho. Claro, que tudo foi questão de oportunidade e na minha cidade não havia cursos e oficinas no seguimento que eu desejava. Hoje melhorou muito não só para mim como para todos que procuram aprender algo sobre artes em geral.
Eu sempre recomendo a todos a fazerem cursos e oficinas para aprenderem mais sobre técnicas de desenhos. Você tem que ver isso como investimento para sua profissão. Outro detalhe importante para todos é saber que certificado não faz o artista e sim o seu portfólio. Por isso que estou hoje montando o Rascunho Studio no centro de João Pessoa com Oficinas de desenhos em quadrinhos para somar com todos os novos talentos que precisam de orientação e assim chegar preparados ao mercado de quadrinhos.




Como você foi parar na publicidade?

Além de me formar na área, sempre tive curiosidade de trabalhar neste grande meio que é a área de criação, mas hoje em dia faço mais freelance nesta área.

Você trabalhou um bom tempo com publicidade ( Storybord, Ilustração, etc. ) Certo? Como foi essa fase?

Esta fase para mim foi rápida, pois tive o prazer de ser contratado pela editora Grafset, assumindo a parte de coloristas de livros didáticos. Com tudo, fiz vários trabalhos em agencias de publicidade como storyboard para comerciais como estes que fui o desenhista. ( Links: http://www.behance.net/Gallery/Boulange-BistrA/111493 ou http://ccsp.com.br/busca/busca.php?SearchArea=novo&t=dadado&p=3 ).

Ainda presta tais serviços?

Hoje quando aparece algo repassamos aos nossos artistas agenciados pelo Rascunho Studio, assim posso dizer que estou criando oportunidade para todos os agenciados.


Como conheceu o Mike Deodato? Conte tudo sobre essa fase, por favor...

Está historia é longa, risos! Mas vou resumir o máximo possível isso. Tudo começou quando eu era adolescente e uma vizinha levou um anúncio de jornal onde dizia que Deodato precisava de mais um assistente. Então quando vi o endereço era no meu bairro e fui ao local imediatamente. Levei tudo o que achava legal para apresentar ao Deodato. “Pessoal, eu era tão amador que era engraçado a situação, risos!!!” Porém, na época era o meu melhor. Quando cheguei ao local, o endereço era do assistente e melhor amigo,o José Augusto, que me recebeu muito bem me passando várias dicas.


O José Augusto e sua esposa Marinalda me ajudaram muito no processo de incentivo e aprendizado na área de quadrinhos. Depois de certo tempo tive o prazer de conhecer Deodato pessoalmente em sua residência. Lembro-me muito bem que ele estava trabalhando para a editora Innovation Publishing produzindo o titulo Beauty and the Beast.
O José Augusto juntamente com Deodato sempre me enviava fotocopias de páginas que já estavam liberadas pelo editor. Isso era excelente por que eu estudava o que eles me enviavam e aprendi muito com isso. Desenhava como nunca nesta fase, risos!

Como você “migrou” do desenho para a cor? Qual a causa?

Bem! Como sempre tive um tempo muito apertado e isso prejudica muito o desenhista, eu estava procurando sempre uma solução para ter tempo. Quando montei o Rascunho estava em um titulo chamado C.H.E.S.S da Ronin Studio, agenciado na época pelo meu amigo Marcelo Salaza ( Diretor do Pencil Blue ). Nesta época havíamos uma parceria de agenciamento, mas com as demandas de trabalho e cada um procurando montar sua própria estrutura rompemos a parceria e cada um focou melhor em seu estúdio. Hoje mantemos um ótimo relacionamento e é um amigo que admiro muito.


Devido aos prazos apertados, chamei o Marcos Aurélio para me ajudar no processo de produção da edição. Foi quando surgiu um teste de cor onde passei para vários coloristas que na época confirmaram participação e no dia só dois entregaram o teste no prazo e mesmo assim incompleto. Eu Acredito que foi por que não conheciam meu trabalho e também acharam que era dispensável. Isso é normal e talvez eu fizesse a mesma coisa se não conhecesse bem o agenciador. Enfim, fiquei muito preocupado em não decepcionar o editor e em apenas uma noite, colorizei as 3 páginas testes e mandei junto com as páginas dos outros coloristas. Depois chegou o resultado do teste e eu havia sido provado como colorista oficial da edição de Witch Hunter.

Quando e por que surgiu a idéia de montar o RASCUNHO STUDIO DE AGENCIAMENTO DE ARTISTAS?

Surgiu da grande vontade de somar com todos os artistas que desejavam assim como eu chegar ao mercado de Quadrinhos.
Eu acredito que o Rascunho hoje é mais uma opção de agenciamento e estamos lutando todos os dias para agregar algo a mais no nosso trabalho e para os nossos artistas.

Como é agenciar vários artistas para o exterior? Os caras dão trabalho? Tô sabendo que a Nívia Alves ( sua esposa ) ajuda bastante nesse ponto.

Eu até hoje não tenho absolutamente nada o que me queixar dos meus agenciados e nem dos meus ex-agenciados. Tem muita gente competente e que conquistou o meu respeito como amigo, pessoa e profissional.
Nívia Alves tem o papel fundamental de liderar as situações e fazer tudo fluir da melhor forma possível em todo o processo. Todas as vezes que falo com os artistas, todos elogiam muito o trabalho dela e também o da Ana Karla.




Como os interessados devem fazer para entrar no time do Rascunho Studio?

Como qualquer estúdio de agenciamento você deve enviar primeiro suas amostras e solicitar um teste do Rascunho para ser novamente avaliado.
Quando avaliamos as primeiras amostras do material já temos a noção se o artista é iniciante ou se tem ou não possibilidades de compor uma história de quadrinhos.
Só uma dica: sempre envie páginas com narrativa e não pin up, cover e etc. E nunca imagens em alta resolução.

Como artista e agenciador, qual sua visão sobre o atual mercado de HQs?

Posso dizer que agora está muito mais competitivo do que nunca, mas não se assustem com isso e continuem buscando o seu espaço.




Seja livre agora: Diga o que quiser! Fale aos nossos leitores e aspirantes a artistas de HQs!

Nós e a Nivia Alves primeiramente agradecemos a Deus por tudo o que temos conquistado. Agradecemos também aos nossos familiares pela força e carinho e também a toda família do Rascunho. E quero que todos vocês saibam que Eu, Nívia Alves e Ana Karla estamos lutando por todos vocês diariamente.
Para todos os aspirantes estamos sempre de portas abertas para recebê-los da melhor forma possível. Vamos avaliar sempre com muita atenção todos vocês e agradecemos o carinho de todos. Gostaria de citar o nome de várias pessoas para agradecer esses 2 anos pelo carinho, atenção e respeito com todos nós, mas sei que poderia esquecer o nome de alguém e por este motivo deixo um grande abraço para todos.




Obrigado por tudo, grande abraço..

Eu que sou grato pela oportunidade.
Grande abraço a todos aí.

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