quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Entrevista Waldomiro Neto


E estamos de volta com mais uma entrevista. Desta vez,  o entrevistado é Waldomiro Neto, ilustrador e designer gráfico, atuante em diversos setores, como editorial, publicitário e promocional, além de professor universitário(sim, ele fez facul!). Ele fala sobre seu início de carreira, como se manter neste mercado mega disputado, sua experiência como professor e ainda entra na questão do politicamente correto. 
Chega de enrolações, vamos ao que interessa!

1 - Como foi seu inicio de carreira na área de ilustração? O que o levou a trabalhar no setor?
Bom, como todo ilustrador sou do tipo que sempre desenhou desde criança. Quando chegou a hora de fazer uma faculdade quis algo relacionado com desenho, então fui fazer desenho industrial com habilitação em programação visual ou simplesmente design gráfico.

Na faculdade eu vi que o design possibilitava muitos caminhos e todos muito fascinantes. O meu curso na época (entrei em 1998), era bem abrangente e  tínhamos aula de design de móveis, moda, embalagem, ilustração, história em quadrinhos entre outros.Mas por conta do gosto por desenhar eu fui buscando os caminhos do design gráfico e acabei depois de formado trabalhando em agências de publicidade, onde eu fiz um pouco de tudo, trabalhando muito com mídia impressa e com desenvolvimento de identidades visuais. Lembro de passar o dia todo dentro da gráfica para poder fazer prova de impressão, ou ainda diagramar páginas e páginas de folhetos e tratar muitas fotos.

Logo após a faculdade fiz pós graduação em web design, na época parecia o melhor caminho, web era a novidade do momento e  até trabalhei um pouco na área mas percebi logo que aquela não era a minha praia.
desde o início atuando como designer sempre dava um jeito de colocar os meus desenhos nos trabalhos, e aos poucos os desenhos foram tomando mais espaço, eu fui achando aquilo fascinante, gostando desse caminho e com o tempo as oportunidades em ilustração foram ficando maiores e tomando mais tempo.


2 - Seu estilo de desenho segue uma linha puxada para o infantil/cartoon. Em quais mercados você atua e qual técnica costuma utilizar em seus trabalhos (digital, tradicional, mista...)?
Lá no começo eu me intitulava como cartunista, tinha como referência o Angeli, Glauco e Laerte, achava o máximo os quadrinhos deles e queria trabalhar fazendo tirinhas, charges e quadrinhos.

Já fazia algumas tirinhas e também ilustrava alguma coisa pra um jornal ou outro, e continuava colocando meus desenhos nos trabalhos da agência sempre que dava, até que um dia tive a oportunidade de fazer algumas ilustrações para um livro didático. No começo foi complicado pois a linguagem dos didáticos é diferente da linguagem do cartum, apanhei bastante até conseguir pegar o jeito, e desde então tenho trabalhado bastante neste mercado.

Hoje faço um pouco de tudo, ilustrações para livros didáticos, paradidáticos e infantis, também ilustro para embalagens, materiais publicitários, promocionais e institucionais, como por exemplos cartilhas para empresas, também atuo no mercado das confecções produzindo ilustrações para estampas de camisetas e pijamas, faço charges e tirinhas para jornais e para web e também ilustrações para revistas.

Sobre as técnicas gosto muito de fazer tudo digital, utilizo bastante o photoshop e as vezes o painter e o corel, no papel mesmo somente os rascunhos para gerar as idéias, sempre ando com um sketch book para poder rabiscar.

As mesas digitalizadoras da Wacom,  foram fundamentais e agilizam muito o meu trabalho, tenho uma cintiq e também uma Intuos. Recomendo!



 3 - Você é Bacharel em Desenho Industrial com habilitação em Programação Visual e especialista em Web Design. Você também atua no mercado como designer ou largou tudo para ser ilustrador fulltime?
Costumo dizer que hoje ilustro 80% do meu tempo, porém ainda atuo como designer gráfico e também lecionei diariamente na universidade de 2006 a 2012, atualmente estou apenas lecionando em cursos de pós graduação e cursos técnicos que são mais esporádicos
Não decidi que iria ilustrar a maior parte do tempo, o mercado que foi caminhando para esse lado e aos poucos tive que deixar outras coisas um pouco de lado para poder dar conta dos desenhos, e isso pode mudar também no futuro, vamos desenhando conforme a música.


 4 - Conte sobre sua experiência como professor universitário. Que matéria você leciona? Você acha que ser professor influencia de algum modo na maneira de enxergar e/ou se posicionar no mercado, seja de design ou ilustração?
Como disse, lecionei 6 anos diariamente no curso de Desenho Industrial da Unopar em Londrina-PR, e também em outras instituições e escolas técnicas.Ensinar é muito bacana, a interação com os alunos é motivadora, ainda mais em um curso que é bastante prático e criativo como o design.

Sobre as matérias, eu lecionava Desenho de Observação, Composição Plástica, História em Quadrinhos, Projeto de Design e também era responsável por um projeto de extensão sobre Quadrinhos.Nas pós graduações eu já lecionei disciplinas sobre StoryBord e Animatic e também Ilustração Didática, tenho também um curso de Ilustração digital que leciono na VTCOM treinamentos que é uma escola técnica de Londrina.

5 - Pesquisando seu trabalho, vi em seu blog que você faz charges para jornais. Neste tipo de trabalho qual o maior desafio: a idéia para desenvolver o tema ou os prazos apertados?
Prazos apertados todo ilustrador está acostumado, acho que todos que trabalham com comunicação estão sempre correndo contra o tempo.

No caso das charges o mais difícil é você conseguir expressar um pensamento em desenho e ainda ter uma boa sacada para que essa charge seja "genial", e isso não acontece todo dia, aliás, raramente a maioria das charges são somente boas, algumas ruins e lá de vez em quando uma pode ser dita que é muito boa!


6 - Hoje existe em todo lugar e praticamente todas as áreas o famoso politicamente correto. Qual sua opinião sobre isso? Até onde você acredita ser necessário este controle do que é dito ou feito? Você já teve que refazer ou descartar algum trabalho por que a idéia estava fora deste “padrão”?
Acho que precisa ter um bom senso em tudo, mas isso não quer dizer que deva haver censura, o politicamente correto é muito chato.

Temos que saber para qual publico estamos desenhando, não vou ilustrar algo vulgar para colocar em um livro infantil e também não vou fazer algo todo fofinho para uma charge política.

Já tive sim que refazer alguns desenhos, adequar alguma coisa para poder ser publicado, na hora você fica meio chateado em ter que alterar o trabalho e  da vontade de jogar tudo pro alto, mas ninguém é dono da verdade, nem o ilustrador. É preciso conversar, saber argumentar sobre a sua ideia e também saber ouvir.


7 - Como ilustrador freelancer, é comum enfrentar períodos de baixa nas encomendas de ilustração, principalmente no caso de quem trabalha com arte para livros didáticos. Como você “se vira” nos períodos em que a demanda “dá uma esfriada”?
Didáticos é sempre assim, por conta do PNLD temos uma correria pra fechar os livros para a licitações, e depois os mercado da uma sossegada por uns meses, a idéia é diversificar fazer outras coisas ilustrar para outros clientes de outros ramos, desse modo você vai administrando para sempre ter trabalho.

Caso fique sem nada pra fazer, além claro de prospectar o que na realidade tem que ser feito o ano todo, o ilustrador pode também se dedicar a projetos pessoais até a entressafra passar.Claro que todo freelancer tem que ter uma poupança para os meses mais fracos, pois sabemos que é normal a oscilação da demanda seja qual for sua área.


 8 - Embora muita gente pense que ser ilustrador é fácil, pura diversão, a coisa não é bem assim. Qual sua visão sobre o mercado de ilustração atual? Quais as coisas boas e ruins do cenário atual?
Geralmente o ilustrador profissional trabalha no que gosta, se realiza diariamente produzindo, criando novas cenas, testando novas técnicas. Mas isso não quer dizer que seja divertido. Enfrentamos jornadas longas de trabalho para dar conta de tudo, muitas vezes temos que pegar muitos projetos para podermos ter um salário melhor.

Quando alguém me pergunta: mas então você passa o dia todo desenhando? Eu sempre respondo: Não, eu só desenho na parte da manhã! A tarde eu pinto tudo o que desenhei (RISOS)!
As pessoas têm uma definição que os ilustradores só brincam e se divertem o dia todo, temos um desgaste mental muito forte, compor as ilustrações, compreender os textos, fazer com que tudo combine, tenha uma identidade e ainda ter calma, paciência e precisão para desenhar e finalizar tudo, não é nada fácil.O desgaste físico também é complicado, pois ficamos muito tempo sentados e tensos para poder desenhar, aos poucos tudo vai travando e doendo.

Sobre o mercado, sempre pode ser melhor, mas não sou de reclamar. Sempre achei que não importa o que você faça se você for bom naquilo e trabalhar sério você será reconhecido e terá trabalho. Não gosto de ficar reclamando que tem gente que cobra muito pouco que está roubando clientes e isso prostitui o mercado. Acredito que tem espaço para todos, e existe um processo evolutivo que cada um deve buscar para crescer profissionalmente ou ficar a vida toda desenhando quase de graça.


9 - Que características o profissional deve ter ou desenvolver (fora o desenho) para entrar, crescer e se manter neste mercado tão disputado?
Acho que não tem receita, cada um segue o seu caminho. Quanto mais você trabalhar, mais frutos irá colher. Existem ilustradores que são autodidatas, outros arquitetos, designers, artistas visuais etc.O importante é investir em você, na sua formação, é importante ter uma base sólida para que você consiga perceber as coisas ao seu redor e refletir sobre elas. Para ilustrar é preciso sensibilidade e quanto mais você estudar melhor será a sua.

Seja observador, curioso e criativo.Sempre digo, desenhe todo dia! Acho que produzindo estamos aprendendo cada vez mais e exercitando nosso talento e assim crescendo e buscando mais espaço nesse mercado como você mesmo disse, tão disputado.

10 - Muito obrigado por esta entrevista. Pra encerrar, deixo este espaço para que você diga, divulgue ou expresse o que desejar!
Eu que agradeço a oportunidade, fico muito feliz em contribuir e de ter esse espaço para me expressar, espero que minhas palavras possam ser úteis de alguma forma.

Quem quiser saber mais, estou sempre a disposição. 

e também tenho minha fanpage no facebook: https://www.facebook.com/waldomironetoilustra

Abraços e obrigado!


segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Entrevista Edde Wagner


Após um longo hiato, estamos de volta com as entrevistas com artistas e profissionais da ilustração, quadrinhos e afins. Nesta "reestreia", temos uma ótima entrevista com o ilustrador, roteirista e arte finalista de quadrinhos, Edde Wagner. Acompanhe abaixo um pouco de sua trajetória no mercado de quadrinhos e ilustração, o que pensa sobre o cenário atual, seus novos projetos e muito mais!

1 - Como se deu o início de sua carreira como desenhista/ilustrador? Você sempre sonhou
trabalhar na área ou as coisas aconteceram sem um planejamento exato visando entrar neste mercado?

Eu sempre gostei de desenhar e de criar (escrever). Já tinha desde criança isso em mente, estava sempre criando diversos personagens.Eu adorava Histórias em Quadrinhos, principalmente da Turma do Lambe Lambe, do Daniel Azulay. Eu tenho alguns até hoje!  Este gosto pela leitura (leio muito, quase compulsivamente) eu herdei de minha mãe.


 2 - Durante um bom tempo sua produção artística esteve voltada ao mercado norte americano de quadrinhos de super heróis, onde você arte finalizou o trabalho de artistas como Roger Cruz e outros ícones do meio. Como você entrou nessa de comics, qual o maior desafio de atuar neste mercado e o que o levou a sair dele?

Eu trabalhava no Estúdio Artecomics- Eu fazia LETRAS e TÍTULOS das revistas da Editora Abril - quando começou o BOOM desta participação dos brasileiros no mercado americano. Aí larguei a faculdade de Letras que estava fazendo e decidi entrar neste mercado. Comecei com arte-final em 1992/93 (Faz tempo!). Eu não deixei este mercado ainda. Estou por aí, mas produzindo menos.


3 - Atualmente sua produção está voltada em grande parte ao mercado de ilustração para
livros didáticos. Quando você decidiu se aventurar neste segmento e quais os desafios
enfrentados para conseguir os primeiros jobs e mais que isso, se manter neste mercado tão
concorrido?

Em 1997 eu montei um estúdio com o Al Stefano chamado HQZARTE. Íamos às livrarias, anotávamos os telefones das Editoras e ligávamos atrás dos Editores de arte. Na verdade, faço isso até hoje. Rsrs. O Rogério Soud me passou alguns dos primeiros contatos, também.Os primeiros testes não deram muito certo. Tínhamos a linguagem mais voltada para HQs e alguns Editores de Arte nos deram alguns toques no início.Com o tempo e experiência eu consegui disfarçar um pouco meus vícios trazidos de HQs. Mas só um pouco. Ainda tenho a mania de encher minhas ilustrações com detalhes sem importância.


4 - A rotina de ilustrador é bem corrida, e é comum que os pedidos de ilustrações sejam
sempre com prazos apertados . Como você resolve e organiza a produção das artes para estes clientes, já que normalmente os pedidos chegam em lotes de 20 ou 30 imagens (as vezes mais)?

Eu sempre fui rápido porque trabalhava com Quadrinhos. Não acho os prazos apertados, não.
Eu sou bem desorganizado. Sento e vou desenhando, nada de mais. Mas eu tenho a mania de fazer os desenhos mais divertidos primeiro. Isso já me causou alguns problemas, como me esquecer de fazer alguns desenhos que deixei para depois.

5 - Em 2013 você criou o estúdio MouseBox, em parceria com o também ilustrador Renato
Arlem, onde tive o prazer de participar como agenciado em um projeto de cards para a
MARVEL. Como surgiu essa idéia, quais os pontos bons e ruins ou fáceis e difíceis deste
empreendimento? Como anda a produção do estúdio?

Acabamos decidindo trabalhar em separado, embora o estúdio ainda exista. O Renato é um grande amigo, nos falamos quase diariamente.
Tivemos muitos problemas com alguns artistas. Este foi o lado ruim.
O lado bom era trabalhar com o Renato. Aprendia muito com ele, é um excelente desenhista. Mas eu sou muito falador e intenso.O Renato é mais reservado. Coitado dele, Rsrs.


6- Além de ilustrar, você também é roteirista e já escreveu várias histórias da Turma da Mônica para a Maurício de Sousa Produções. O que lhe dá mais prazer: ilustrar ou escrever roteiros? Quais os macetes para criar histórias envolventes, divertidas e que se enquadrem no Padrão MSP?
Eu sempre gostei mais de ESCREVER. Comecei como Roteirista, e sempre fiz roteiros para vários estúdios, não só a MSP. Fiz até Faculdade de Letras, pois achava que este seria minha verdadeira vocação.
Mas eu confesso que nunca deu muito certo. Acho que não sou muito talentoso, paciência.
Macetes na MSP? Acho que lá, assim como em outros meios de comunicação, trabalhar com criança tem que SURPREENDER, sempre. E a surpresa vem das reviravoltas nas histórias. Hoje em dia, em qualquer filme ou série de tevê ou novela, isso acontece o tempo todo, não só para crianças. Temos vidas muito agitadas hoje em dia, e isso acaba se refletindo nos meios de entretenimento. Acho.



7-Já que você desenha e escreve, já pensou em criar algo próprio, um projeto autoral de
quadrinhos ou literatura com suas histórias e seus personagens?

Estou desenvolvendo. Quem sabe eu consiga criar algo mais pra frente.
Eu e o Al Stefano criamos uma personagem pra extinta METAL PESADO chamada Lilith.Cheguei a bolar uma origem para ela, mas eu e o Alberto seguimos caminhos diferentes. 


8 - Que você é um profissional multitarefa, está mais que claro, e faz tudo muito bem. Como
foi a experiência de dar aulas de arte na Quanta (academia de arte)? O que mais o agradava
e/ou desagradava na rotina de ensino de artes?

Cara, eu amava dar aulas. Éramos muito amigos (professores), e já vínhamos trabalhando em HQs para os EUA. Sempre fui muito tímido, e lá meio que funcionava para mim como uma espécie de terapia, pois hoje em dia nem sou tão reservado como era antes de dar aulas.
Eu gostava mesmo era do contato com os alunos, de motivar o pessoal. Era meu verdadeiro dom, acho, pois nunca fui um professor muito técnico e/ou performático.
O que me desagradou no final foi a rotina. Foram 12 anos dando aulas! Conversei com o Marcelo Campos e saí de boa. Ele entendeu.


9 - Algum de seus alunos seguiu ou segue carreira como ilustrador? Pergunto isso, pois como
sabemos, muita gente desiste da carreira quando se depara com as dificuldades de início de
carreira, prazos, etc.

Nossa, muitos alunos seguiram carreira. Alguns viraram ilustradores, outros quadrinhistas e outros professores da própria Quanta, além da Impacto e Abra.
Muita gente! Não dá pra ter ideia.
Alguns viraram amigões pessoais, como o Gilberto Valadares, Alex Coi, Chris Borges, Samuel Fonseca, Mauro Fodra, David Lee...entre outros.


 10 - Muitos dos que estarão lendo esta entrevista trabalham ou pretendem trabalhar com
desenho ou roteiro, talvez as duas coisas. Como profissional experiente nos dois ramos, que
dica você daria para os que desejam entrar nestes mercados, ou até mesmo para os que estão em início de carreira e querem crescer e se manter vivendo de desenho e roteiros?

DESENHAR ou ESCREVER, assim como medicar, advogar ou até jogar futebol você alcança a excelência através da REPETIÇÃO. Se alguém quer ser desenhista, tem que desenhar MUITO.
Mas outra coisa é amar o processo, focar no aprendizado constante.


Para conhecer melhor o trabalho do Edde Wagner, acesse:

Até a próxima entrevista!






quinta-feira, 17 de março de 2011

Entrevista Alexandre Rampazo

Fuçando pela net em busca de novidades sobre ilustração, sem querer descobri um ilustrador de traço bem bacana, chamado Alexandre Rampazo.Ele se dedica á ilustração infantil, ilustrando e também escrevendo livros.
Abaixo segue uma entrevista que ele deu para a revista crescer.
Divirtam-se e acessem o blog do cara(http://alerampazo.blogspot.com/), pois as ilustras são muito bonitas.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Manual de uso do Logotipo do Governo Federal

O pessoal do blog do planalto postou um material bem bacana, o manual de uso do logotipo(logomarca não!) do governo federal.
Bem interesante, pena que o logotipo seja tão feio, pior que o anterior em minha opinião, mas seja como for,esse é o logotipo e não há o que fazer.
Segue abaixo:
Quem quiser acompanhar o pessoal do blog o link é
http://www.slideshare.net/BlogDoPlanalto

sábado, 5 de março de 2011

Entrevista com Mozart Couto


Olá amigos, voltamos com mais uma entrevista no designcomics!
Esse mês o entrevistado é o grande mestre  Mozart Couto, um veterano do quadrinho nacional que já publicou no Brasil, EUA e Europa e hoje se dedica à ilustração de livros na maior parte do tempo, mas sem deixar de lado a nona arte.
Ele nos conta sobre sua carreira,trabalhos e o que o fez sair do mercado de HQs norte- americano para entrar no mercado nacional de ilustração.
Aqueles que tiverem interesse em adquirir cópias em papel fotográfico de suas imagens, nos tamanhos A4 e A3 podem entrar em contato pelo e-mail:mozartcouto@gmail.com.

Isso e muito mais!

Boa leitura!

Por favor, apresente-se para aqueles poucos que ainda não sabem quem é Mozart Couto.
Eu sou um mineiro, da cidade de Juiz de Fora, casado, pai de duas filhas; Vegetariano (me tornando, aos poucos, vegano), por amor e respeito à natureza; Gosto de uma vida tranqüila ,e de vários outros tipos de arte. Tenho poucos e grandes amigos e gosto muito de desenhar. Comecei bem cedo, talvez por volta dos 6 anos, a desenhar com muita freqüência. Aos 20, comecei profissionalmente depois de um período de estudos e prática intensos com muita ajuda de meu pai, que era músico e desenhista também.

Quando o correu o instante em que você disse: quero ser desenhista!?
Acho que desde criança eu já sentia isso. Nem foi preciso pensar muito.


Como foi seu começo de carreira?Que dificuldades enfrentou?
Eu tive uma HQ rejeitada no início. A primeira que enviei para o Grupo de Quadrinhos da Grafipar, uma editora que publicou muitos quadrinistas nacionais e foi responsável por um dos grandes movimentos do quadrinho nacional no final dos anos 70. Depois, aceitaram as outras e me deram muito espaço. Então, posso dizer que nunca tive grandes dificuldades no início.

Quando e como ocorreu sua inserção no mercado americano? O que houve de bom e de ruim nesse período?
Eu vinha de uma experiência no mercado de quadrinhos Europeu, então o Deodato (Mike Deodato), companheiro de quadrinhos de longa data, me chamou para ajudá-lo a desenhar umas páginas da Wonder Woman para a DC Comics. A partir daí, fiz várias outras coisas com ele, no “Deodato's Studio” ( ele , eu e o Emir Ribeiro) e depois, sozinho, durante algum tempo. De ruim, não aconteceu nada. De bom foi que eu resolvi que não queria fazer “comics”, porque descobri que nunca fui um desenhista de “comics”, embora tenha me inspirado em muitos desenhistas americanos, e que não estava a fim de trabalhar naquele tal de “deadline”, que é um modo excelente de se esmagar uma pessoa que gosta de fazer um desenho com calma e com gosto. E a partir daí, descobri que poderia fazer mais coisas além de quadrinhos. Descobri novos mercados e me senti melhor.

Você também publicou na Europa. Analisando a tradição brasileira em produção de álbuns estilo grafic novels, alguns inclusive de sucesso(Rafael Grampá, Fabio Moon e Gabbriel Bá por exemplo), você acredita que o mercado europeu seria uma opção para os autores/artistas nacionais apresentarem seu “material real” ?
Talvez sim,mas, para aqueles que desenham diferente de muitos que cresceram aprendendo a desenhar no estilo comics. Na Europa há uma outra visão de como fazer HQ, bem diferente do modo como grande parte dos brasileiros pensam que tem que ser. Os cenários tem muita importância e as histórias são mais inteligentes, não são atreladas a uma ideologia de afirmação de superioridade de um povo sobre outros.

Nos últimos anos você tem se dedicado á ilustração de livros. Qual o motivo? Gosto pessoal ou desilusão em relação à realidade do mercado nacional de HQs ?
Gosto pessoal. Eu aprendi a gostar de ilustrar. E também por necessidade de sobrevivência. Eu me dei bem melhor com ilustrações e trabalhos avulsos para vários clientes do que com quadrinhos. Há um momento em que desenhar quadrinhos vai ficando muito cansativo e é muito bom ter como variar.

A versatilidade de estilos é algo notório em seu trabalho, inclusive você está entre os poucos que conseguem executar trabalhos em diversos estilos sem perder qualidade. Você acredita que nos dia de hoje é importante o ilustrador dominar estilos variados?
Eu acho isso muito importante, mas infelizmente, parece que muitos clientes acham que você só pode fazer uma coisa (um estilo, um gênero...). Me lembro que meu agente na Europa me contava como os editores ficavam admirados de ver como eu conseguia variar. Eles não acreditavam muito que era a mesma pessoa fazendo coisas tão diferentes.

Algo comum nos dias de hoje é o uso de referencial fotográfico para HQs e ilustrações, principalmente em casos de desenho mais realista .Você costuma utilizar referencias fotográficas? O que acha desse tipo e recurso?
Raramente eu utilizo, porque sinto que isso te prende àquela visão toda perfeita da foto. Com o tempo, a dependência só vai aumentando e você não consegue mais desenhar de imaginação.Vai sempre querer ter aquele resultado “perfeito”, seguro, e semipronto que a foto te dá. Embora o desenho com base em fotos seja muito bonito, eu prefiro e acho que tem muito mais valor uma arte feita do nada, do papel ( ou do arquivo aberto )em branco. No meu modo de ver, referências fotográficas devem ser utilizadas mais para se tirar dúvidas quanto às coisas, ou detalhes delas, que vamos retratar no desenho.
Acompanhando seu blog, o blog do desenhador, pude notar que você tem utilizado bastante o digital, em especial o Gimp. Quando ocorreu essa migração da tinta para os pixels do computador? Você acredita que o digital tomou ou poderá tomar o lugar da técnica tradicional, como aquarela, guache etc.?
Desde 1997 eu venho aprendendo a lidar com os recursos digitais. Em 2002 descobri o mundo do Software Livre e achei sensacional a ideia toda, o conceito, a filosofia envolvida, e resolvi testar pra ver se funcionava. Acabei me viciando. A coisa é fascinante. Hoje eu trabalho com Linux e muito raramente utilizo algum software de empresas famosas e que rodam só em MAC ou em Pcs com Windows.
Eu acho que sempre vai ter gente usando as técnicas tradicionais. Elas são ótimas. Mas para acompanhar as exigências do mercado de hoje, o digital atende muito mais ao artista. Ainda mais quando é necessário corrigir e/ou refazer imagens.

Cite seu top 5 do desenho, aqueles que lhe influenciaram/influenciam e que para você são insuperáveis na arte de desenhar.
Ah, eu nunca consigo fazer isso, ainda mais uma lista tão pequena. Eu sofri influência de todos os grandes quadrinistas dos quais vi os trabalhos nos anos 70 e 80; do Brasil, Europa, EUA e Japão.

Você foi um dos colaboradores do Guia do Ilustrador, que por sinal é muito bom e instrutivo. Qual a importância, em seu ver, da prática profissional entre ilustradores no que diz respeito a contratos, abertura de firma, emissão de boletos de pagamento etc.?
Eu acho importantíssimo tudo isso para que possamos ser vistos como profissionais sérios e para que possamos ter um resultado mais estável do nosso trabalho. Muitas conquistas ainda terão que vir. Eu vejo que as coisas estão mudando, e espero que a relação ilustrador/quadrinista e cliente seja mais compensadora para ambos os lados e não somente para um deles, como sempre foi. É necessário que todos os que começam agora tenham em mente a necessidade do conhecimento de tudo o que é sugerido no Guia e tente colocar em prática para que se façam respeitados, fortalecidos.

Quais seus projetos atuais em termos de quadrinhos? Algo novo nos espera?
Eu tenho alguns projetos sim, mas eles vão andando em ritmo muito lento porque sempre tenho que pará-los para fazer meus trabalhos cotidianos, que são prioritários. Eu penso em tentar algum tipo de produção independente usando novos recursos da web e outros, porém, estou estudando todas as possibilidades com calma. O que pretendo mesmo é fazer algo bem autoral mesmo e encontrar um caminho direto, uma via direta com o público leitor, pela web. Eu espero que isso dê certo. Enquanto isso, pelo menos uma HQ já está entrando na fase final de produção e breve será impressa. Foi escrita por um amigo e amante das Hqs, Alexandre Grincenkov, e quadrinizada por mim. Chama-se “Veneno de Deus”. É um arco de 4 Hqs de 44 páginas cada e narra a saga de um jovem que foi criado por satanistas para governar o mundo.

Fale sobre seu dia-a-dia de trabalho. Trabalha em casa ou em estudo separado?
Trabalho na minha casa. Sempre trabalhei. Acho bem melhor assim para criar e ter o controle que preciso de todo o processo. Trabalho em média de 8 a 9 horas por dia, de segunda à Sábado e, algumas vezes, aos Domingos também.

Quando Mozart Couto não está ilustrando ele está fazendo o que?
Eu fico experimentando programas para artistas; Aprendendo mais sobre Software Livre e sobre arte digital – sempre ouvindo música; Navegando e pesquisando na internet. Encontro os amigos, pessoalmente, ou via Skype; Fico com a família e os bichos da casa... enfim, é uma vida comum. Mas a maior parte do tempo passo na frente da “tela”.

O que você deixaria como conselho para aqueles que estão iniciando carreira(como eu) e os que pretendem seguir essa vida trabalhando com desenho?
Estudem muito e pratiquem muito- sempre. Se puderem fazer bons cursos, façam. Fiquem sempre de olhos bem abertos pois cada dia surge uma profissão, ou atividade nova nessa área artística/tecnológica e você pode se encaixar numa dessas. Aprenda a viver na instabilidade pois o mundo será assim daqui pra frente, durante um bom tempo.

Para finalizar, diga o que quiser. Grite, desabafe, enfim, o espaço é seu!
Eu sempre gosto de falar isso para os mais jovens: sejam vocês mesmos! Tomem cuidado para que não te utilizem. Não cooperem com a massificação. Aprenda a desenvolver um senso crítico e respeite muito sua arte, lute por ela, lute por sua individualidade, mesmo trabalhando com grupos.

Bom, muito obrigado Mozart, foi um imenso prazer em poder entrevistá-lo.
Eu é que agradeço. Abração.

Grande abraço.

Blog de Mozart Couto: http://www.blogdodesenhador.blogspot.com


quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Entrevista Anna Anjos


A entrevistada desse mês é a ilustradora Anna Anjos, quem vem se mostrando uma das mais promissoras e importantes ilustradoras da nova geração que está chegando ao mercado e nos proporcionando um verdadeiro banquete visual com seu estilo rico em formas e cores.

Ela nos conta sobre sua visão de mercado, como foi trabalhar com a gigante dos chocolates, a Nestlé, no projeto chocolovers e muito mais.

Embarque no universo afrotropical e divirta-se!

Vamos começar por seu projeto mais conhecido (me corrija se estiver errado), o Chocolovers para NESTLÉ. Como foi trabalhar para a gigante dos chocolates? Como aconteceu o convite?
Em meados de 2009 fui convidada a desenvolver uma ilustração exclusiva para a embalagem especial dos Ovos de Páscoa Nestlé 2010. Após ter enviado o rough da proposta, qual não foi minha surpresa ao ser convidada a desenvolver não apenas uma, mas três ilustrações para o projeto.
Tive liberdade total de criação e pude exercer, ousar nas cores e formas que compuseram as 3 ilustrações exclusivas para as latas. Resolvi desenvolver mandalas e elementos orgânicos com diferentes tons para cada lata, que explorassem a forma da embalagem, criando um universo lúdico, onírico, que de alguma forma materializasse (visualmente) a sensação que o chocolate provoca em quem o consome.
Foi uma grande experiência e um enorme prazer poder aplicar minha arte em produtos de uma marca tão forte como a Nestlé. Fiquei bastante satisfeita com o resultado final.

Você é formada em design pela BELAS ARTES/SP, atuou como tal em agências de publicidade. O que lhe motivou a largar tudo e ser ilustradora freelancer?
Sempre fui lúdica e gostei de criar meus próprios mundos, encantados e coloridos. O contato com a ilustração surgiu ainda na infância, através do meu pai que, embora tenha sido ilustrador auto-didata, nunca exerceu de fato essa profissão. Na época em que fiz vestibular ainda não havia uma faculdade de ilustração no Brasil, então resolvi cursar Design Gráfico, pois era este o curso mais se aproximava de minhas expectativas, onde poderia exercer meu potencial criativo além, é claro, do embasamento teórico que um curso superior oferece. Hoje vejo que fiz a coisa certa, pois o Design ampliou minha capacidade analítica e expressiva, oferecendo-me novas perspectivas para a área de criação.

Fale sobre a fase de colorista na Fábrica de Quadrinhos. Já pensou em trabalhar com HQs?
Trabalhar como colorista na Fábrica de Quadrinhos foi um período de muito aprendizado, onde refinei meus conhecimentos técnicos. Nunca pensei, porém, em trabalhar desenvolvendo minhas próprias histórias em HQ, justamente pelo fato de uma das principais características dessa expressão artística ser a narrativa (seja esta didática ou não), pela necessidade de discorrer uma ação ou uma história.
Acredito que a possibilidade de infinitas interpretações a respeito de cada uma de minhas artes, através de meus personagens coloridos inseridos num universo lúdico, surreal, talvez seja a essência que mantém minha arte viva, pois dessa forma ela tem a capacidade de se transformar a todo momento, através da leitura emocional que cada um apreende.


Fale sobre sua rotina diária/processo de trabalho. Você utiliza sketchbooks?

Penso que a ligação estreita entre artista/sketchbook, além de válida, é de fato o ambiente ideal para o experimentalismo e a ousadia; muitas vezes funciona quase como um tótem, uma espécie de amuleto do artista. Atualmente, porém, não utilizo sketchbook, pois estou encontrando dificuldade em estabelecer essa relação necessária com o caderno. Talvez isso se deva ao fato de que, hoje em dia, meu trabalho tem buscado novos horizontes, novas perspectivas, um momento de amadurecimento e reencontro de minha linguagem como arte-ilustradora.
Apesar de atualmente não possuir um forte vínculo com meu sketchbook, minha relação com música o é. Tenho necessidade de ouvir músicas que tenham alguma relação com o que estou criando no momento; assim, o trabalho flui muito melhor, de modo mais orgânico.


Seu estilo de desenho é bem pessoal e rico em cores/formas e traços. Como chegou a essa “assinatura pessoal’’?

Pela minha personalidade curiosa, sempre gostei muito de conhecer o trabalho de outros artistas. Com isso, acabei entrando em contato com diferentes estilos e linguagens para expressão das ideias; talvez por causa justamente desse acervo mental imagético que acabei desenvolvendo, tenha sentido mais facilidade para criar esse estilo “próprio”. Afinal, nada é totalmente novo, todas as nossas ideias estão nas camadas do imaginário coletivo cósmico. O que faz um trabalho artístico ser diferenciado de outro são as infinitas conexões possíveis das referências, e modo utilizado para se desenvolver conceitualmente a(s) ideia(s) sobre ele.


Você acredita que ter um traço próprio é fundamental para o sucesso de um artista ou mesmo aqueles que ‘não tem estilo’ podem fazer sucesso?

Ter um traço “original”, que o permita distingüir-se dos demais artistas é importante sim. Pois o que chamamos de “estilo próprio” é, ao meu ver, a capacidade de organizar harmonicamente na grande teia da criação a conceitualização da arte através de suas referências fazendo uso, para isso, de uma linguagem específica que, de modo técnico-instintivo – faça transparecer nossa personalidade, nosso modo de compreender o mundo. Quando digo isso, quero me referir não ao ilustrador, ao qual é exigido um domínio dos diversos estilos e técnicas de pintura; refiro-me ao artista plástico e aos arte-ilustradores, que é o meu caso. É claro que, nesse segundo caso, ganhar a empatia do público é, via de regra, mais difícil do que quando se é um profissional mais “técnico”, que consegue caminhar facilmente por diversas técnicas e linguagens.

Quais artistas lhe influenciam ou influenciaram artisticamente?

Minhas principais referências vêm da cultura brasileira (indígena/nordestina/movimento Tropicalista) e cultura africana (padronagens/artesanato).
A música é uma de minhas maiores referências para o desenvolvimento da minha arte. Os artistas que mais me influenciam são: Nação Zumbi, Otto, Novos Baianos, Secos e Molhados, Tom Zé, Mestre Ambrósio e Siba e a Fuloresta.
Na área da ilustração gosto muito do trabalho de Nick Sheehy, Linn Olofsdotter e Joe Sorren.
Em meados de 2009 tive a oportunidade de viajar para a Argélia e conhecer um pouco da cultura do norte africano.
Por ter sido a Argélia um país que foi colonizado por espanhóis, franceses e árabes, a cultura é extremamente rica e contundente, respira história. Os diversos padrões coloridos presentes nas roupas, as cerâmicas e o próprio visual litorâneo da região contribuíram muito para uma nova visão sobre meu trabalho. Argel, a capital, é um lugar incrível, enigmático, inspirador.
Sem dúvida, a vivência dessa cultura foi uma de minhas principais influências para o desenvolvimento de meu projeto pessoal, o Afrotropicalismo, ainda em fase de concepção. (Para quem quiser conhecer melhor sobre esse projeto, pode acessar o blog: www.afrotropicalismo.blogspot.com).


O que você acha do mercado de trabalho atual, para ilustradores?

O mercado de ilustração no Brasil está desvalorizado. Eu acredito que o profissional, seja ele de qualquer área vale por sua raridade no mercado. O que acontece ao meu ver é que há poucos profissionais na área de ilustração/criação, que apresentem qualidade e trabalhem por um preço justo.


Quem é a ANNA ANJOS quando não está ilustrando? O que gosta e o que odeia nesta vida?
Sempre curiosa, a Anna gosta de descobrir, de conhecer, de pesquisar. Ultimamente tenho sentido muita necessidade de expandir meus pensamentos através de textos. A escrita, aliada à ilustração, têm atuado de modo contundente em prol do meu desejo de extravasar os pensamentos. Também adoro ler e viajar, conhecer novos lugares. Toda cultura me encanta; é a forma mais pura e viva da expressão humana.


Quais são suas metas para o futuro? Quem será a Anna Anjos daqui a dez anos?

Meu principal objetivo é continuar me aprimorando cada vez mais, sem dúvida nenhuma. Tenho recebido vários convites para participar de palestras. Poder compartilhar meus conhecimentos é sensacional, acho muito importante essa troca de ideias e experiências profissionais.
Também tenho interesse em direcionar meu trabalho para novos suportes, a fim de enriquecer e diversificar minha arte, trabalhando mais o lado plástico de minhas criações, através do desenvolvimento de telas e animações experimentais em stop motion das Entidades e o conceito Afrotropical. E quem sabe em um momento futuro, lançar um projeto gráfico sobre o Afrotropicalismo.


Deixe seu recado para os fans de seu trabalho e para aqueles que estão buscando/sonhando com um lugar ao sol nesse campo ilustrado.

Costumo dizer que as duas coisas mais importantes para o profissional de qualquer área são: amar e acreditar no que se faz. Num profissional, essas duas características são imprescindíveis; as molas propulsoras para o crescimento profissional de qualquer um. Ser persistente é acreditar no que você faz, é não desistir nunca, é tentar, tentar e tentar, até conseguir. O grande erro, ao meu ver, é que muitos, infelizmente, desconhecem o valor de seu próprio trabalho, e isso naturalmente acaba gerando medo e insegurança.
Muitas são as dificuldades encontradas pelo profissional da área de criação, todos nós sabemos disso. Para muitos, tantas adversidades soam como frustração porém, veja, é justamente sob essa condição que temos a possibilidade de amadurecer enquanto profissionais e desenvolvermos nossos déficits técnicos, aprimorando nossas habilidades através do estudo.

Tesão é o combustível que move toda essa engrenagem Universal.

http://www.annaanjos.blogspot.com/
http://www.annaanjos.com/
http://www.urbanarts.com.br
/Artistas/AnnaAnjos

http://www.cazulo.com/asp/index_skinz.asp?IdArtista=22

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Poder do design

Algo extremamente frustrante, e digo isso na posição de ilustrador e designer, é quando apresento um projeto x(seja ele design ou ilustração) e ai o cliente diz:ah, tá caro...eu queria algo bem simples,bem rapidinho...
Bom, quando o cidadão diz algo assim isso mostra duas opções:

1-Ele é um espertalhão que quer se dar bem as suas (ou minhas)custas,e não dá o mínimo valor ao nosso trabalho;
2- Ele não tem a mínima noção do poder que um projeto bem feito tem de valorizar a sua empresa e possivelmente lhe trazer clientes(que é igual a dinheiro).

Algo que contribui para isso é o fato de que existem por ai muitos profissionais que oferecem seus serviços praticamente de graça, isso quando não o fazem iludidos com a ''visibilidade que seu trabalho vai ter''.

Um trabalho bem elaborado, e desenvolvido corretamente(com pesquisa de mercado e tudo mais que deve ser feito e que não vou escrever nesse post)não pode ser feito rapidinho e muito menos ser vendido por ''dez conto e uma cerveja''.

A exemplo disso podemos ter como base marcas fortes, que foram desenvolvidas por profissionais(e profissional não trabalha por divulgação e nem pra ganhar ''dez conto e uma cerveja''...)e que por terem sido desenvolvidas do modo correto(e cobradas de modo correto)são reconhecíveis em qualquer lugar e com certeza alcançaram e alcançam seus objetivos, cumprindo as expectativas do cliente.

Para finalizar gostaria de deixar claro duas coisas:
1- Não quero ofender quem faz serviços por divulgação ou que cobra abaixo do devido,mas quero lhes alertar que isso desvaloriza a profissão e a vocês mesmos, pois querendo ou não preço muito baixo é associado à baixa qualidade;

2-Também não quero ofender quem busca profissionais que trabalhem de graça ou quase.
Quero alertar que fazendo isso você está entregando sua marca/empresa nas mão de alguém despreparado e que mesmo que tenha boa vontade, estará pondo em risco seu patrimônio e transmitindo uma mensagem errada e lhe proporcionando futuros aborrecimentos.

Abaixo seguem alguns logotipos de empresas conhecidas e que devido ao fato de terem sido produzidas por bons profissionais são reconhecidas e assimiladas mesmo que tendo seus nomes trocados ou outras intervenções.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Entrevista Alzir Alves (RASCUNHO STUDIO)


Puxa vida... Muitos meses se passaram desde nosso último post ( perdão leitores amigos, perdão...), mas agora voltamos, e para que vocês possam saciar sua curiosidade sobre a vida dos profissionais das HQs brazucas, trouxemos uma entrevista( que há muito tempo foi realizada) com Alzir Alves, colorista atuante no mercado americano e diretor do Rascunho Stúdio, que agencia artistas para as editoras nos EUA.
Conheça a trajetória deste artista que vem crescendo a cada dia em meio aos artistas no exterior, e guarde as dicas que ele oferece para se ter sucesso nessa carreira.
Boa diversão!




Como você se interessou por desenho? Como foram os primórdios?

Primeiramente gostaria de te agradecer pelo seu convite, sempre acompanho o seu blog. Como a maioria dos jovens eu sempre gostei muito de desenhos animados e conseqüentemente às revistas em quadrinhos.
Na minha infância e adolescência não havia internet tão popularizada como se tem hoje em dia. Tudo era mais restrito em relação à informação sobre vários assuntos ligado a desenhos e quadrinhos. Acredito que todos os amantes de quadrinhos não imaginariam chegar tão longe com seus trabalhos por estarem aqui no Brasil e a Meca dos quadrinhos serem fora do nosso país.
Eu sou só mais uma destas pessoas que sonhava com isso e desenhava sempre para tentar chegar ao nível de grandes desenhistas da minha época. Tive muito incentivo da minha mãe e de amigos como José Augusto e de sua família. O José Augusto foi assistente de Deodato e é grande amigo dele. Esta grande amizade foi que abriu uma grande porta para conhecer o Deodato no seu inicio de carreira. Desenhei muito graças a estas motivações.


Em 1995 participei de um curso no Senac ministrado por Gilton Lira, o qual ministrou o primeiro curso de Historias em Quadrinhos em João Pessoa. Nesse curso aprendi muita coisa e também conheci vários outros artistas iniciantes na época em que desejavam ser desenhistas. Acredito que isso, foi bom para saber que eu não era o único que amava o que fazia.
Com o passar dos anos tive que assumir outras atribuições e também fazer a faculdade onde passei aproximadamente seis anos sem desenhar quadrinhos. Meu único contato era com o que via em bancas de revistas.
Ao me forma em Publicidade e Propaganda, trabalhei como storybord em um filme nacional chamado “O sonho de Inacim” ( Link: http://www.osonhodeinacim.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=19&Itemid=28 ) depois fui aventurar nas agencias de publicidade onde trabalhei em algumas campanhas e, por fim, voltei para os quadrinhos.


Quando voltei a desenhar e já pensando em criar o Rascunho Studio, formei uma parceria com o Carlos Henry e o Marcelo Salaza, onde trabalhei em um titulo chamado C.H.E.S.S. como desenhista e meu amigo Marcos Aurélio como arte-finalista. Foi um trabalho bacana e tivemos a Cover colorizada pelo Blond. Então com o passar do tempo estruturei o Rascunho Studio e convidei várias pessoas a compor o nosso estúdio.
Hoje conto com o grande apoio da minha esposa Nívia Alves ( Diretora Administrativa e Agenciadora ) e Ana Karla ( Agenciadora e Tradutora ) sem falar dos grandes artistas que fazem parte de toda grande família do Rascunho.

Fez cursos e tal ou aprendeu na raça?

Como citei acima fiz um curso no Senac em 1995, mais sempre fui auto-autodidata no que fazia em relação a desenho. Claro, que tudo foi questão de oportunidade e na minha cidade não havia cursos e oficinas no seguimento que eu desejava. Hoje melhorou muito não só para mim como para todos que procuram aprender algo sobre artes em geral.
Eu sempre recomendo a todos a fazerem cursos e oficinas para aprenderem mais sobre técnicas de desenhos. Você tem que ver isso como investimento para sua profissão. Outro detalhe importante para todos é saber que certificado não faz o artista e sim o seu portfólio. Por isso que estou hoje montando o Rascunho Studio no centro de João Pessoa com Oficinas de desenhos em quadrinhos para somar com todos os novos talentos que precisam de orientação e assim chegar preparados ao mercado de quadrinhos.




Como você foi parar na publicidade?

Além de me formar na área, sempre tive curiosidade de trabalhar neste grande meio que é a área de criação, mas hoje em dia faço mais freelance nesta área.

Você trabalhou um bom tempo com publicidade ( Storybord, Ilustração, etc. ) Certo? Como foi essa fase?

Esta fase para mim foi rápida, pois tive o prazer de ser contratado pela editora Grafset, assumindo a parte de coloristas de livros didáticos. Com tudo, fiz vários trabalhos em agencias de publicidade como storyboard para comerciais como estes que fui o desenhista. ( Links: http://www.behance.net/Gallery/Boulange-BistrA/111493 ou http://ccsp.com.br/busca/busca.php?SearchArea=novo&t=dadado&p=3 ).

Ainda presta tais serviços?

Hoje quando aparece algo repassamos aos nossos artistas agenciados pelo Rascunho Studio, assim posso dizer que estou criando oportunidade para todos os agenciados.


Como conheceu o Mike Deodato? Conte tudo sobre essa fase, por favor...

Está historia é longa, risos! Mas vou resumir o máximo possível isso. Tudo começou quando eu era adolescente e uma vizinha levou um anúncio de jornal onde dizia que Deodato precisava de mais um assistente. Então quando vi o endereço era no meu bairro e fui ao local imediatamente. Levei tudo o que achava legal para apresentar ao Deodato. “Pessoal, eu era tão amador que era engraçado a situação, risos!!!” Porém, na época era o meu melhor. Quando cheguei ao local, o endereço era do assistente e melhor amigo,o José Augusto, que me recebeu muito bem me passando várias dicas.


O José Augusto e sua esposa Marinalda me ajudaram muito no processo de incentivo e aprendizado na área de quadrinhos. Depois de certo tempo tive o prazer de conhecer Deodato pessoalmente em sua residência. Lembro-me muito bem que ele estava trabalhando para a editora Innovation Publishing produzindo o titulo Beauty and the Beast.
O José Augusto juntamente com Deodato sempre me enviava fotocopias de páginas que já estavam liberadas pelo editor. Isso era excelente por que eu estudava o que eles me enviavam e aprendi muito com isso. Desenhava como nunca nesta fase, risos!

Como você “migrou” do desenho para a cor? Qual a causa?

Bem! Como sempre tive um tempo muito apertado e isso prejudica muito o desenhista, eu estava procurando sempre uma solução para ter tempo. Quando montei o Rascunho estava em um titulo chamado C.H.E.S.S da Ronin Studio, agenciado na época pelo meu amigo Marcelo Salaza ( Diretor do Pencil Blue ). Nesta época havíamos uma parceria de agenciamento, mas com as demandas de trabalho e cada um procurando montar sua própria estrutura rompemos a parceria e cada um focou melhor em seu estúdio. Hoje mantemos um ótimo relacionamento e é um amigo que admiro muito.


Devido aos prazos apertados, chamei o Marcos Aurélio para me ajudar no processo de produção da edição. Foi quando surgiu um teste de cor onde passei para vários coloristas que na época confirmaram participação e no dia só dois entregaram o teste no prazo e mesmo assim incompleto. Eu Acredito que foi por que não conheciam meu trabalho e também acharam que era dispensável. Isso é normal e talvez eu fizesse a mesma coisa se não conhecesse bem o agenciador. Enfim, fiquei muito preocupado em não decepcionar o editor e em apenas uma noite, colorizei as 3 páginas testes e mandei junto com as páginas dos outros coloristas. Depois chegou o resultado do teste e eu havia sido provado como colorista oficial da edição de Witch Hunter.

Quando e por que surgiu a idéia de montar o RASCUNHO STUDIO DE AGENCIAMENTO DE ARTISTAS?

Surgiu da grande vontade de somar com todos os artistas que desejavam assim como eu chegar ao mercado de Quadrinhos.
Eu acredito que o Rascunho hoje é mais uma opção de agenciamento e estamos lutando todos os dias para agregar algo a mais no nosso trabalho e para os nossos artistas.

Como é agenciar vários artistas para o exterior? Os caras dão trabalho? Tô sabendo que a Nívia Alves ( sua esposa ) ajuda bastante nesse ponto.

Eu até hoje não tenho absolutamente nada o que me queixar dos meus agenciados e nem dos meus ex-agenciados. Tem muita gente competente e que conquistou o meu respeito como amigo, pessoa e profissional.
Nívia Alves tem o papel fundamental de liderar as situações e fazer tudo fluir da melhor forma possível em todo o processo. Todas as vezes que falo com os artistas, todos elogiam muito o trabalho dela e também o da Ana Karla.




Como os interessados devem fazer para entrar no time do Rascunho Studio?

Como qualquer estúdio de agenciamento você deve enviar primeiro suas amostras e solicitar um teste do Rascunho para ser novamente avaliado.
Quando avaliamos as primeiras amostras do material já temos a noção se o artista é iniciante ou se tem ou não possibilidades de compor uma história de quadrinhos.
Só uma dica: sempre envie páginas com narrativa e não pin up, cover e etc. E nunca imagens em alta resolução.

Como artista e agenciador, qual sua visão sobre o atual mercado de HQs?

Posso dizer que agora está muito mais competitivo do que nunca, mas não se assustem com isso e continuem buscando o seu espaço.




Seja livre agora: Diga o que quiser! Fale aos nossos leitores e aspirantes a artistas de HQs!

Nós e a Nivia Alves primeiramente agradecemos a Deus por tudo o que temos conquistado. Agradecemos também aos nossos familiares pela força e carinho e também a toda família do Rascunho. E quero que todos vocês saibam que Eu, Nívia Alves e Ana Karla estamos lutando por todos vocês diariamente.
Para todos os aspirantes estamos sempre de portas abertas para recebê-los da melhor forma possível. Vamos avaliar sempre com muita atenção todos vocês e agradecemos o carinho de todos. Gostaria de citar o nome de várias pessoas para agradecer esses 2 anos pelo carinho, atenção e respeito com todos nós, mas sei que poderia esquecer o nome de alguém e por este motivo deixo um grande abraço para todos.




Obrigado por tudo, grande abraço..

Eu que sou grato pela oportunidade.
Grande abraço a todos aí.

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